Vaquejada do Distrito de Betania
Histórico:
O município de Hidrolândia está localizado na região do Sertão dos Crateús, originalmente habitada por diversos povos indígenas, entre eles: Tupinambá, Kalabaça e Potyguara. Pertenceu ao município de Santa Quitéria com a denominação de Cajazeiras e mais tarde Cajazeiras do Timbó. Foi elevado à categoria de município em 1957, com o nome de Batoque. Em 1965, recebeu seu nome atual.
Com mais de 20 mil habitantes, a cidade apresenta uma cultura rica e diversificada, marcada por manifestações como festas de padroeiros, reisado, cavalgadas e quadrilhas juninas. Destaca-se também por seus bens naturais, como sítios com artes rupestres e águas sulfurosas. Entre as tradições mais emblemáticas está a Vaquejada do distrito de Betânia, realizada há mais de 40 anos e reconhecida como patrimônio cultural do município em 2025.
Descrição:
Após a invasão portuguesa, o sertão nordestino foi desbravado pelas boiadas que abriram caminhos e impulsionaram a formação de diversas cidades no interior. A pecuária tornou-se tão central que originou a chamada “civilização do couro”, influenciando costumes, tradições e saberes ligados à cultura vaqueira, ainda presentes em muitas regiões do Nordeste.
Entre essas tradições destacam-se as “pegas” de gado, que deram origem às festas de apartação, realizadas no período de reunião do rebanho, geralmente em julho. Como as antigas fazendas não tinham cercas, os proprietários reuniam os vaqueiros para separar e marcar o gado destinado à venda. Nessas ocasiões surgiram também os primeiros torneios, nos quais o vaqueiro precisava capturar e derrubar o boi pela cauda.
Atualmente, as vaquejadas não se limitam mais ao mês de junho e seguem um calendário estruturado em circuitos, geralmente com cinco ou seis eventos realizados em parques próximos. Esses parques possuem pistas padronizadas, onde as disputas ocorrem em duplas: o “puxador”, que derruba o boi, e o “esteira”, que segura a cauda e a entrega ao parceiro. O animal deve cair dentro da área demarcada entre duas faixas, com as patas levantadas; quando isso acontece, “valeu boi”. Caso contrário, o resultado é “zero”. Apesar da diversas normas e regras criadas para minimizar os efeitos negativos aos animais, ainda é um grande desafio o equilíbrio entre tradição cultural e proteção animal.
Situação atual:
Ao longo do tempo, a vaquejada passou por transformações que ampliaram seu alcance para além de sua dimensão tradicional. Influenciada pela indústria do entretenimento, a prática incorporou novos formatos de organização, públicos e formas de participação, tornando-se um evento estruturado em circuitos competitivos, com regras, calendários e espaços específicos, sem deixar de manter vínculos com suas origens culturais. Além das competições, as Vaquejadas são marcadas por festas que atraem uma grande quantidade de público. Em Betânia, distrito de Hidrolândia, localizada a 21km da sede do município, o Parque Berto Veras realiza, há 43 anos, a mais tradicional vaquejada do município. Não foi observado ações e iniciativas de promoção e preservação da vaquejada como patrimônio cultural imaterial de Hidrolândia.
Legislação:
Lei municipal 1142/2025 de 18 de junho de 2025.
Como chegar: Viação Princesa dos Inhamuns
Agenda Cultural: Pode acompanhar a programação cultural no instagram @vaquejadadabetania
Funcionamento: Anualmente, no mês de Julho.
Contato: Instagram @vaquejadabetania
Localização: Betânia, Hidrolândia/CE
Acessibilidade: Não possui acessibilidade.
Possibilidades de Educação patrimonial:
- Disciplina/Série Escolar: História – 3º Ano Fundamental.
- Objeto de Conhecimento: A produção dos marcos da memória: a cidade e o campo, aproximações e diferenças.
- Habilidades: Identificar modos de vida na cidade e no campo no presente, comparando-os com
- os do passado.
- Tema: A cultura vaqueira em Hidrolândia.
- Sugestão de atividades: Em sala de aula, promover uma reflexão crítica sobre o conceito de patrimônio cultural, destacando a vaquejada como uma importante manifestação da identidade cultural de Hidrolândia. Estimular os estudantes a compartilharem seus conhecimentos, experiências e memórias relacionadas à cultura vaqueira, valorizando os saberes locais e as tradições transmitidas entre gerações. Como atividade prática, propor que os alunos tragam objetos vinculados a esse universo cultural, como vestimentas, instrumentos, acessórios ou utensílios, para que sejam analisados quanto às suas funções, significados simbólicos e mudanças ao longo do tempo. A partir dessa análise, incentivar a construção de relações entre o passado e o presente das práticas vaqueiras, compreendendo sua permanência e transformação na cultura local.
Referências:
SANTOS, Manoel Silva dos. A importância cultural e econômica da vaquejada e a relevância do seu reconhecimento como patrimônio imaterial do Brasil. 2017. 55 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Ciências Econômicas) – Unidade Santana do Ipanema, Curso de Ciências Econômicas, Universidade Federal de Alagoas, Santana do Ipanema, 2018. Em https://www.repositorio.ufal.br/handle/riufal/3307
+ Informações
- Betânia, Hidrolândia/CE
- Anualmente, no mês de Julho.
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