Imaterial

Esporte equestre, vaquejada e expressões decorrentes

Histórico:

A história de Tabuleiro do Norte remonta à ocupação indígena do território pelo povo indígena Paiacu, que habitavam áreas próximas à atual Aldeia Velha. A partir da segunda metade do século XVII, a região passou a ser ocupada por fazendeiros, que implantaram a pecuária e integraram o território às rotas comerciais do Vale do Jaguaribe. O crescimento do povoado foi impulsionado pelo comércio de gado ligado ao Ciclo da Carne e pela movimentação da Estrada Geral do Jaguaribe. Inicialmente vila vinculada a Limoeiro do Norte, o município conquistou sua emancipação em 1958.

Com cerca de 30 mil habitantes, o município de Tabuleiro do Norte preserva diversas tradições culturais que expressam a identidade e a memória de sua população, entre elas as festas religiosas populares, o maneiro-pau, as quadrilhas juninas, a dança do coco, além dos festejos carnavalescos. Inserida em uma região de forte tradição vaqueira, os esportes equestres e a vaquejada ocupam lugar de destaque na identidade cultural, tendo sido reconhecidos como patrimônio cultural em 2017.

Descrição:

Após a invasão portuguesa, o sertão nordestino foi desbravado pelas boiadas que abriram caminhos e impulsionaram a formação de diversas cidades no interior. A pecuária tornou-se tão central que originou a chamada “civilização do couro”, influenciando costumes, tradições e saberes ligados à cultura vaqueira, ainda presentes em muitas regiões do Nordeste. Entre essas tradições destacam-se as “pegas” de gado, que deram origem às festas de apartação, realizadas no período de reunião do rebanho, geralmente em julho. Como as antigas fazendas não tinham cercas, os proprietários reuniam os vaqueiros para separar e marcar o gado destinado à venda. Nessas ocasiões surgiram também os primeiros torneios, nos quais o vaqueiro precisava capturar e derrubar o boi pela cauda.

Atualmente, as vaquejadas e suas expressões decorrentes não se limitam mais ao mês de junho e seguem um calendário estruturado em circuitos, geralmente com cinco ou seis eventos realizados em parques próximos. Esses parques possuem pistas padronizadas, onde as disputas ocorrem em duplas: o “puxador”, que derruba o boi, e o “esteira”, que segura a cauda e a entrega ao parceiro. O animal deve cair dentro da área demarcada entre duas faixas, com as patas levantadas; quando isso acontece, “valeu boi”. Caso contrário, o resultado é “zero”. Apesar da diversas normas e regras criadas para minimizar os efeitos negativos aos animais, ainda é um grande desafio o equilíbrio entre tradição cultural e proteção animal.

Situação atual:

Ao longo do tempo, a vaquejada passou por transformações que ampliaram seu alcance para além de sua dimensão tradicional. Influenciada pela indústria do entretenimento, a prática incorporou novos formatos de organização, públicos e formas de participação, tornando-se um evento estruturado em circuitos competitivos, com regras, calendários e espaços específicos, sem deixar de manter vínculos com suas origens culturais. Além das competições, as Vaquejadas são marcadas por festas que atraem uma grande quantidade de público. O município de Tabuleiro do Norte conta no seu histórico com as tradicionais vaquejadas do parque Martins e as cavalgadas Bibiu Ferreira e da Família Horácio. Não foi observado ações e iniciativas de promoção e preservação da vaquejada como patrimônio cultural imaterial da cidade.

Legislação: Lei Municipal 1678/2017 de 10 de julho de 2017.

Como chegar: Expresso Guanabara.

Agenda Cultural: a programação cultural pode ser acompanhada no instagram @parqueharasmartins

Funcionamento: Anualmente.

Contato: @parqueharasmartins

Localização: Tabuleiro do Norte/CE.

Acessibilidade: Não se adequa.

Possibilidades de Educação patrimonial:

  • Disciplina/Série Escolar: História – 3º Ano Fundamental.
  • Objeto de Conhecimento: A produção dos marcos da memória: a cidade e o campo, aproximações e diferenças.
  • Habilidades: Identificar modos de vida na cidade e no campo no presente, comparando-os com
  • os do passado.
  • Tema: A cultura vaqueira em Tabuleiro do Norte.
  • Sugestão de atividades: Em sala de aula, promover uma reflexão sobre a noção de patrimônio cultural, com ênfase na vaquejada como expressão reconhecida da identidade de Tabuleiro do Norte. Incentivar os alunos a compartilharem seus conhecimentos e vivências acerca da cultura vaqueira, valorizando saberes locais e memórias familiares. Como atividade prática, solicitar que tragam objetos relacionados a esse universo cultural, como indumentárias, instrumentos ou utensílios, para analisar seus usos, significados e transformações ao longo do tempo, estabelecendo um diálogo entre passado e presente das práticas vaqueiras no município.

Referências:

https://www.tabuleirodonorte.ce.gov.br

SANTOS, Manoel Silva dos. A importância cultural e econômica da vaquejada e a relevância do seu reconhecimento como patrimônio imaterial do Brasil. 2017. 55 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Ciências Econômicas) – Unidade Santana do Ipanema, Curso de Ciências Econômicas, Universidade Federal de Alagoas, Santana do Ipanema, 2018. Em https://www.repositorio.ufal.br/handle/riufal/3307

LIMA, Pedro Paulo Monteirode; TRINDADE, Hermanny Clean Santana; CAMPOS, Lucas Cruz. A VAQUEJADA COMO PATRIMÔNIO CULTURAL IMATERIAL: A DEFESA DA CULTURA NA PERSPECTIVA DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação[S. l.], v. 11, n. 6, p. 1535–1549, 2025. DOI: 10.51891/rease.v11i6.197

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  • Tabuleiro do Norte/Ce
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