Antigo Cemitério do Cólera (Memorial do Cólera)
Histórico:
O município de Tauá, localizado na região dos Sertões dos Inhamuns, território ocupados pelos povos indígenas Jucás e Jenipapos, teve sua origem no século XVIII, com a instalação de fazendas e o surgimento dos primeiros povoamentos. O desenvolvimento inicial ocorreu no vale do rio Trici, onde a construção da Igreja de Nossa Senhora do Rosário, em 1762, contribuiu para a formação do núcleo urbano. Em 1802, a localidade foi elevada à condição de vila com o nome de São João do Príncipe. Em 1898, recebeu a denominação atual, Tauá, palavra de origem indígena associada ao significado de “barro vermelho” ou “cidade antiga”, e em 1929 foi elevada à categoria de cidade.
Com mais de 64 mil habitantes, Tauá destaca-se como a principal cidade da região dos Sertões dos Inhamuns e reúne um conjunto expressivo de manifestações e paisagens culturais. O município abriga sítios paleontológicos e arqueológicos, além de importantes nascentes e afluentes do Rio Jaguaribe. Seu patrimônio cultural inclui igrejas do período colonial, festas religiosas populares, festejos juninos, artesanato, cantorias de violeiros, vaquejadas e cavalgadas, entre outras tradições que expressam a identidade sertaneja. Tauá também preserva locais históricos que revelam a memória e a identidade local, entre as quais se destaca o antigo cemitério do cólera, atualmente memorial do cólera, tombado pelo município em 2006.
Descrição:
A epidemia de cólera que atingiu o Ceará na década de 1860, especialmente a partir de 1862, provocou milhares de mortes em um cenário de grande vulnerabilidade social e ausência de recursos médicos. Em Tauá, então chamada Vila de São João do Príncipe, a doença teve forte impacto: das 510 pessoas infectadas, 216 morreram, gerando medo coletivo e profundas mudanças no cotidiano da população.
Em memória dessas vítimas, foi construído o Memorial do Cólera, inaugurado em 2013 no local dos sepultamentos. Com formato de capela, o espaço reúne elementos simbólicos como cruzes entrelaçadas e blocos que representam os mortos, além de uma exposição com registros históricos sobre a epidemia. O memorial cumpre um papel importante de preservação da memória e de reflexão sobre esse episódio marcante da história de Tauá.
Situação atual:
O cemitério e o Memorial da Cólera em Tauá encontram-se em bom estado de conservação e são importantes patrimônios culturais por preservarem a memória da epidemia de 1862, ressignificando a tragédia e a transformando em fonte de reflexão histórica, apresentando, de forma acessível, aspectos históricos, sociais e científicos da doença. Além disso, cumpre papel educativo e fortalece a identidade e a memória coletiva da população local.
Legislação:
Lei municipal 1316 de 20 de abril de 2005 e decreto Municipal 27 de 09 de maio de 2005, a partir do processo n° 006/2006 com protocolo de 06 de março de 2006, Inscrição número 05, do Livro de Tombo Histórico.
Como chegar: Expresso Guanabara
Agenda Cultural: Acompanhar o instagram @secult_taua
Funcionamento: Segunda a Sexta-Feira, das 08 às 17h.
Contato: @secult_taua
Localização: Rua Projetada Seis, 1, Dr. Jose Osimo, Tauá/Ce.
Acessibilidade: Possui acessibilidade.
Possibilidades de Educação patrimonial:
- Disciplina/Série Escolar: Ciências Humanas e Sociais aplicadas ao Ensino Médio.
- Objeto de Conhecimento: Analisar processos políticos, econômicos, sociais, ambientais e culturais nos âmbitos local, regional, nacional e mundial em diferentes tempos, a partir da pluralidade de procedimentos epistemológicos, científicos e tecnológicos, de modo a compreender e posicionar-se criticamente em relação a eles, considerando diferentes pontos de vista e tomando decisões baseadas em argumentos e fontes de natureza científica.
- Habilidades: Identificar, analisar e discutir as circunstâncias históricas, geográficas, políticas, econômicas, sociais, ambientais e culturais de matrizes conceituais (etnocentrismo, racismo, evolução, modernidade, cooperativismo/desenvolvimento etc.), avaliando criticamente seu significado histórico e comparando-as a narrativas que contemplem outros agentes e discursos.
- Tema: A História das Doenças do Ceará e o discurso de progresso e higienização, a partir da epidemia de Cólera ocorrida em Tauá em 1862.
- Sugestão de atividades: Em sala de aula, promover uma reflexão sobre a história da epidemia de Cólera em Tauá e a construção de um memorial e patrimonialização do cemitério do Cólera. Em seguida, planejar e realizar uma visita mediada ao espaço, em parceria com a equipe educativa, enfatizando as relações e conexões existentes entre a Epidemia e os segmentos econômico, cultural, social e político. Como desdobramento, propor uma roda de conversa entre estudantes e educadores do museu, favorecendo a socialização de impressões, o debate de aprendizados e o aprofundamento das reflexões suscitadas pela experiência vivenciada.
Referências:
Feitosa, Fátima Lúcia de Andrade. Potencialidades turísticas do sertão de Tauá-região do Inhamuns-Ceará. 2015. 109 f. Dissertação (Mestrado Acadêmico ou Profissional em 2015) – Universidade Estadual do Ceará, , 2015. Disponível em: <http://siduece.uece.br/siduece/trabalhoAcademicoPublico.jsf?id=88621>
LEMOS, Mayara de Almeida. “O terror se apoderou de todos”: epidemia de cólera-morbo em Quixeramobim, 1862-1863. . In: SEMINÁRIO INTERNACIONAL HISTÓRIA E HISTORIOGRAFIA, 3.; SEMINÁRIO DE PESQUISA DO DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA DA UFC, 10., 1-3 out. 2012, Fortaleza (Ce). Anais… Fortaleza (Ce): Expressão Gráfica; Wave Media, 2012. Disponível em https://repositorio.ufc.br/bitstream/riufc/43035/1/2012_eve_malemos.pdf
+ Informações
- Rua Projetada Seis, 1, Dr. Jose Osimo, Tauá/Ce
- Segunda a Sexta-Feira, das 08 às 17h
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