Imaterial

As manifestações culturais e religiosas dos povos e comunidades tradicionais de matriz afro-indígena bem como na preservação dos espaços sagrados

Histórico

A origem de Sobral está ligada ao processo de ocupação do Vale do Acaraú no século XVIII, impulsionado principalmente pela pecuária, pelo comércio e pela religiosidade. Fazendas instaladas na região reuniam casas, currais e capelas, que se tornavam pontos de encontro de vaqueiros, tropeiros, viajantes e comerciantes, favorecendo a formação de povoados ao longo das rotas de circulação. Nesse contexto, a instalação da Fazenda Caiçara, por volta de 1728, deu origem ao núcleo inicial do povoado. A construção da capela de Nossa Senhora da Conceição, iniciada em 1746, estimulou a fixação de moradores e o fortalecimento do comércio. Elevada à vila em 1773 e à cidade em 1841, Sobral consolidou-se como principal centro comercial do norte cearense.

Com mais de 200.000 habitantes, Sobral é uma das mais importantes cidades cearenses, marcada pela efervescência comercial no período colonial, preserva um valioso sítio histórico urbano tombado pelo IPHAN. Igrejas, Casarões e Teatro fazem parte de um rico acervo de edificações coloniais que tornam singular a paisagem cultural do centro da cidade. Além disso, a riqueza cultural se expressa através de reisados, festas juninas, manifestações religiosas populares de diferentes matizes, entre elas, as dos povos e comunidades tradicionais de matriz afro-indígena: Candomblé, Umbanda, Jurema, Batuque, Santo Daime, Centros Espíritas e de Caboclos, Ciganos, Jarê, Terecô, Xambá, dentre outras denominações.

Descrição:

Para o IPHAN, os terreiros são espaços sociais e sagrados de organização coletiva, onde o povo de santo preserva o território e a natureza, considerada essencial e sagrada. Neles se mantêm vivas tradições como danças, cantos, mitos, rituais e outras práticas que preservam a memória ancestral africana. Na cidade de Sobral, existe uma grande diversidade religiosa de matriz afro-indígenas.

A Secretaria de Cultura de Sobral realizou, nos anos de 2006, 2008 e 2012, cadastro de espaços de terreiro, porém alcançou poucos locais. Tudo indica que há um número significativo de terreiros na cidade, embora ainda não exista um levantamento sistematizado que apresente dados precisos sobre essa realidade.

Podemos citar alguns terreiros que seguem resistindo como espaço onde o axé é transmitido e mantido: Centro lie Maroketu Ase Iya Omi Ogum Ida, Associagao Umbandista Santa Joana D’arc, Tenda do Caboclo Sete Flechas, Terreiro de Jurema Mestre Sibamba, Centro de Umbanda Casa Ze Pilintra, Centro de Umbanda Rei do Tombo e Cabocla Mariana, Templo de Umbanda Arranca Toco, Centro Umbanda Sao Jorge Guerreiro, Casa de Axe Felipe Juremeiro, entre outros.

Situação atual:

Apesar da grande importância do reconhecimento dos povos de terreiro como patrimônios culturais, ainda persistem desafios significativos, especialmente no que se refere à efetivação da liberdade de culto e da tolerância religiosa em relação aos povos de terreiro no município. Mais do que o reconhecimento formal, é fundamental implementar ações educativas e políticas de fomento cultural que contribuam para a valorização, o respeito e o fortalecimento desses importantes patrimônios culturais de Sobral.

Legislação:

Lei municipal 1902/2019, de 04 de setembro de 2019.

Como chegar: Expresso Guanabara.

Agenda Cultural: Não se adequa.

Funcionamento: Diariamente.

Contato: Não se adequa.

Localização: Sobral/CE.

Acessibilidade: : Não se adequa.

Possibilidades de Educação patrimonial:

  • Disciplina/Série Escolar: História – 3º Ano Fundamental.
  • Objeto de Conhecimento: O “Eu”, o “Outro” e os diferentes grupos sociais e étnicos que compõem a cidade e os municípios: os desafios sociais, culturais e ambientais do lugar onde vive.
  • Habilidades: Analisar o papel das culturas e das religiões na composição identitária dos povos antigos.
  • Tema: Os povos de terreiro e religiosidade de matriz afro-indígena em Sobral.
  • Sugestão de atividades: Incentivar uma reflexão sobre a diversidade cultural que compõe a sociedade sobralense, destacando as tradições religiosas de matriz afro-indígena como parte do patrimônio cultural do município. Inicialmente, levantar os conhecimentos prévios da turma sobre essas manifestações, discutindo sua presença na história local e sua contribuição para a formação cultural de Sobral. Em seguida, propor uma pesquisa sobre a trajetória histórica, os saberes, as práticas religiosas e as expressões culturais associadas a essas tradições, incentivando os estudantes a identificar suas contribuições para a construção da identidade e da diversidade cultural do município. Os resultados da pesquisa poderão ser compartilhados em sala de aula, promovendo o diálogo e a ampliação dos conhecimentos sobre o tema. Por fim, organizar uma visita a um terreiro, possibilitando aos estudantes o contato direto com essa referência cultural. Após a visita, promover uma roda de conversa com representantes dessas tradições, favorecendo a troca de experiências, o esclarecimento de dúvidas e a valorização dos saberes transmitidos por seus praticantes.

Referências:

SOUZA, Maria Disnei Alves. O terreiro, a cidade e a escola: encruzilhando saberes para o ensino de história. 2025. 100 f. Dissertação (Mestrado em História) – Mestrado Profissional em Ensino de História, Centro de Humanidades, Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2025. Disponível em https://repositorio.ufc.br/bitstream/riufc/82145/3/2025_dis_mdsalves.pdf

http://portal.iphan.gov.br/uploads/ckfinder/arquivos/plano_nacional

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+ Informações

  • Sobral/CE
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