Imaterial

Maracatu

Histórico:

Fundada em 1726, Fortaleza foi inicialmente periférica à economia colonial, ganhando centralidade a partir de 1799, com a autonomia política do Ceará e o comércio externo. No século XIX, consolidou-se como capital, com o passar do tempo, tornou-se uma importante metrópole regional com mais de 4 milhões de habitantes, rica em manifestações e espaços culturais, alguns reconhecidos oficialmente como patrimônios culturais da cidade

O maracatu em Fortaleza tem suas origens nas festas promovidas pelas Irmandades de Nossa Senhora do Rosário, formadas por populações negras desde o século XIX. Esses espaços funcionavam como locais de sociabilidade, resistência cultural e devoção religiosa, onde ocorriam os chamados autos de rei do Congo, encenações que reuniam cantos, danças, críticas sociais e a coroação simbólica de reis negros. Com a repressão da Igreja Católica a essas práticas, especialmente a partir de 1870, tais manifestações foram deslocadas dos espaços religiosos para as ruas e, posteriormente, incorporadas ao carnaval, dando origem ao maracatu como expressão cultural urbana, marcada pela herança africana e pela resistência histórica.

Descrição:

O maracatu fortalezense caracteriza-se como um cortejo dramático e simbólico que encena uma corte africana, com personagens como rei, rainha, princesas e figuras tradicionais, acompanhados por batuques e cantos (loas). Presente sobretudo no carnaval, mantém elementos sagrados e identitários, como a calunga, ao mesmo tempo em que apresenta diversidade de estilos entre os grupos. Apesar das transformações ao longo do tempo, o maracatu permanece como uma importante manifestação da cultura afro-brasileira na cidade, preservando memórias, tradições e formas de expressão coletiva.

Situação atual:

Grupos como Nação Palmares, Leão de Ouro, Vozes da África, Rei de Paus, Nação Pici, Solar, Obalomí, Az de Ouro, Axé de Oxóssi, Rei Zumbi, Nação Iracema, Corte Imperial, Nação Fortaleza e Nação Baobab mantêm viva a tradição do maracatu em Fortaleza, consolidando-o como uma das mais importantes manifestações da cultura afro-brasileira na cidade. Seu reconhecimento como patrimônio cultural imaterial impulsionou estudos e ações voltadas à preservação de sua memória e história; no entanto, ainda é necessário avançar em políticas públicas de valorização, manutenção e educação patrimonial, especialmente para além do período carnavalesco.

Legislação: Decreto municipal 13.769 de 12 de março de 2016.

Como chegar: Não se adequa.

Agenda Cultural: Pode acompanhar a programação cultural no instagram @culturadefortaleza

Funcionamento: Anualmente, principalmente no período carnavalesco.

Contato: @culturadefortaleza

Localização: Fortaleza/Ce

Acessibilidade: : Não se adequa.

Possibilidades de Educação patrimonial:

  • Disciplina/Série Escolar: História – 5º Ano Fundamental.
  • Objeto de Conhecimento: Cidadania, diversidade cultural e respeito às
  • diferenças sociais, culturais e históricas.
  • Habilidades: Associar o conceito de cidadania à conquista de direitos dos povos e das sociedades, compreendendo-o como conquista histórica.
  • Tema: Maracatu, resistência e cidadania de uma manifestação cultural afro-brasileira.
  • Sugestão de atividades: Refletir com os alunos sobre o Maracatu como patrimônio cultural de Fortaleza; a partir das experiências compartilhadas, propor um trabalho de pesquisa em grupos, investigando as tradições culturais afro-brasileiras em Fortaleza. Em seguida, promover a apresentação dos trabalhos em sala de aula e finalizar com uma reflexão sobre as manifestações culturais afro-brasileiras como resistência cultural e conquista da cidadania.

Referências:

SOUZA, Marcelo Renan Oliveira de. Maracatus de Fortaleza: entre tradições, identidades e a formação de um patrimônio cultural. 2015. 245f. Dissertação (Mestrado Profissional em Preservação do Patrimônio Cultural) – Programa de Pós-Graduação do Departamento de Articulação e Fomento do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Rio de Janeiro, 2015. Disponível em:

http://portal.iphan.gov.br/uploads/ckfinder/arquivos/SOUZA_Marcelo-Dissertacao_Mestrado.pdf

SILVA, Ana Cláudia Rodrigues da. Vamos maracatucá!!!: um estudo sobre os maracatus cearenses. 2004. 154f. Dissertação (Mestrado em Antropologia) – Programa de Pós-Graduação em Antropologia do Centro de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2004. Disponível em:

https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/1052

https://cultura.fortaleza.ce.gov.br/dossie-maracatu

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+ Informações

  • Fortaleza/Ce
  • Anualmente, principalmente no período carnavalesco

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