Modo de vida ancestral do povo Tremembé da Barra do Mundaú
Histórico:
Antes da colonização portuguesa, o povo Tremembé ocupava uma extensa faixa litorânea entre o Maranhão e o Ceará. Por sua posição estratégica, sofreram intensos processos de genocídio e etnocídio, sendo aldeados no início do século XVIII no aldeamento de Almofala, atual Itarema. Hoje, além de Itarema, vivem também em Acaraú e Itapipoca.
Em 2022, o modo de vida ancestral Tremembé foi reconhecido como patrimônio cultural de Itapipoca. Entre seus costumes tradicionais estão a pesca, o cultivo da mandioca, o uso de cerâmicas simples e cabaças, além da produção de utensílios de pedra e fibras naturais. Alguns traços resistem, como o Torém e as práticas agrícolas tradicionais. Os Tremembé se reconhecem como um povo diverso, composto por pescadores, artesãos, curandeiras, parteiras e guardiões dos saberes de seus “troncos velhos”.
Descrição:
O território Tremembé da Barra do Mundaú possui 3.580 hectares em Itapipoca, abrangendo quatro aldeias: São José, Buriti de Baixo, Buriti do Meio e Munguba. O povo mantém vivas várias tradições, como práticas alimentares, saberes ancestrais e rituais anuais, entre eles o ritual do Alimento Ancestral, o Torém, a saudação a Yemanjá e a Festa da Farinhada. Esses rituais fortalecem a identidade Tremembé e funcionam como espaços de transmissão cultural e de acolhimento a visitantes.
Situação atual:
Apesar dos avanços trazidos pela política de patrimônio imaterial, ainda é necessário ampliar ações que valorizem culturas indígenas e seus modos de vida. O reconhecimento do modo de vida Tremembé como patrimônio cultural reforça a importância de garantir o território, elemento central de sua identidade. O povo Tremembé mantém forte organização comunitária e recebe apoio de instituições diversas, desenvolvendo projetos nas áreas de agricultura, saúde, educação e geração de renda. Contudo, as ameaças ao território persistem, exigindo mobilização da população de Itapipoca. A memória Tremembé tem sido valorizada localmente, como demonstra a inauguração recente da Oca da Memória Ancestral, dedicada à preservação e difusão de sua história.
Legislação:
Lei Municipal 059/2022 de 25 de agosto de 2022.
Como chegar: Empresas que possuem rotas de ônibus para Itapipoca: Expresso Guanabara. No entanto para chegar no território indígena é necessário conseguir uma carona ou contratar um transporte particular.
Agenda Cultural: Vasta programação cultural de rituais e festejos pode ser encontrada no instagram @tremembe_da_barra
Funcionamento: Não se aplica.
Contato: @tremembe_da_barra
Localização: RH97+3Q – Marinheiros, Itapipoca/Ce.
Acessibilidade: : Não se aplica.
Possibilidades de Educação patrimonial:
- Disciplina/Série Escolar: História – 3º Ano Fundamental.
- Objeto de Conhecimento: As pessoas e os grupos que compõem a cidade e o município.
- Habilidades: Identificar os grupos populacionais que formam a cidade, o município e a região,
- as relações estabelecidas entre eles e os eventos que marcam a formação da cidade, como fenômenos migratórios (vida rural/vida urbana), desmatamentos, estabelecimento de grandes empresas etc.
- Tema: A importância do povo Tremembé na formação de Itapipoca.
- Sugestão de atividades: Em sala de aula, promover uma reflexão sobre os modos de vida, os saberes, as práticas culturais e a trajetória histórica do povo Tremembé, reconhecendo-os como importantes referências do patrimônio cultural de Itapipoca e do Ceará. Discutir com os estudantes a importância dos povos indígenas na formação cultural do território, bem como a necessidade de valorizar e respeitar seus conhecimentos, tradições e formas de organização social. Em seguida, convidar um representante do povo Tremembé para dialogar com a turma, compartilhando experiências, narrativas e manifestações culturais de seu povo, favorecendo o contato direto com os detentores desse patrimônio. Durante o encontro, oportunizar a vivência da dança do Torém, conduzida pelo convidado, como forma de aproximação com essa expressão cultural e de compreensão de seus significados para a comunidade.
Referências:
FARIAS, Airton de História do Ceará. 7a. Edição. – Fortaleza/CE : Armazém da Cultura, 2015.
+ Informações
- RH97+3Q - Marinheiros, Itapipoca, Ce
- Não se aplica.
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