Povos de Terreiro e as Comunidade Quilombolas
Histórico:
O município de Poranga, localizado na região dos Crateús, teve sua ocupação iniciada a partir de aldeamentos indígenas, especialmente dos povos Tabajara e Kalabaças. Com a chegada dos colonizadores portugueses, o território passou a ser ocupado por fazendeiros, e o desenvolvimento da agropecuária impulsionou o crescimento do povoado. Inicialmente denominado Várzea Formosa e, posteriormente, apenas Formosa, o município passou a se chamar Poranga em 1943. O nome tem origem no tupi-guarani e significa “bonito”. A emancipação política ocorreu em 1957.
Com pouco mais de 12 mil habitantes, Poranga é reconhecida por suas belas paisagens naturais e pela forte presença da cultura ancestral dos povos indígenas Tabajara e Kalabaças, que seguem resistindo e lutando pela preservação de suas tradições. O município mantém vivas diversas expressões culturais, manifestadas no artesanato, nos sítios arqueológicos e nos festejos juninos, entre outras tradições populares. A religiosidade e as ancestralidades de diferentes matrizes também exercem grande influência na identidade local, com destaque para os povos de terreiro e as comunidades quilombolas, reconhecidos como patrimônio cultural imaterial de Poranga em 2025.
Descrição:
Segundo a Constituição Federal de 1988, Art. 68 do ADCT, as comunidades quilombolas são grupos formados por descendentes de africanos escravizados que resistiram ao regime escravista, organizando-se em quilombos, e que até hoje mantêm tradições próprias, vínculos com o território, modos de vida específicos e uma forte identidade cultural. Em Poranga, a comunidade de Pitombeira, com pouco mais de 230 habitantes, representa o território quilombola na cidade, preservando essa importantes cultura ancestral.
Para o IPHAN, os terreiros são espaços sociais e sagrados de organização coletiva, onde o povo de santo preserva o território e a natureza, considerada essencial e sagrada. Neles se mantêm vivas tradições como danças, cantos, mitos, rituais e outras práticas que preservam a memória ancestral africana.. Na cidade de Poranga, destaca-se a AFEUCT (Associação Filantrópica Espírita de Umbanda Caboclo Tapynaré), fundada em Poranga-CE, em 2011, sob a liderança de Pai Francisco das Chagas Cavalcante Braga (Pai Francisco d’Ogum), que resiste preservando a cultura da ancestralidade afro-brasileira.
Situação atual:
Apesar da grande importância do reconhecimento dos povos de terreiro e das comunidades quilombolas como patrimônios culturais de Poranga, ainda persistem desafios significativos, especialmente no que se refere à garantia do direito à terra para a comunidade de Pitombeira e à efetivação da liberdade de culto e da tolerância religiosa em relação aos povos de terreiro no município. Mais do que o reconhecimento formal, é fundamental implementar ações educativas e políticas de fomento cultural que contribuam para a valorização, o respeito e o fortalecimento desses importantes patrimônios culturais de Poranga.
Legislação: Lei Municipal 237/2025 de 30 de maio de 2025.
Como chegar: Expresso Guanabara
Agenda Cultural: Não se adequa.
Funcionamento: Não se adequa.
Contato: Não se adequa.
Localização: Poranga/Ce
Acessibilidade: não se adequa.
Possibilidades de Educação patrimonial:
- Disciplina/Série Escolar: História – 3º ano Fundamental
- Objeto de Conhecimento: O “Eu”, o “Outro” e os diferentes grupos sociais e étnicos que compõem a cidade e os municípios: os desafios sociais, culturais e ambientais do lugar onde vive.
- Habilidades: Identificar os grupos populacionais que formam a cidade, o município e a região, as relações estabelecidas entre eles e os eventos que marcam a formação da cidade, como fenômenos migratórios (vida rural/vida urbana), desmatamentos, estabelecimento de grandes empresas etc.
- Tema: Os povos de terreiro e comunidades quilombolas em Poranga.
- Sugestão de atividades: Promover, com os alunos, uma reflexão sobre a diversidade dos grupos que formam Poranga, valorizando a presença dos povos de terreiro e das comunidades quilombolas, reconhecidos como patrimônio cultural. Levantar os conhecimentos prévios da turma e propor uma pesquisa sobre a história e expressões culturais desses grupos, ampliando a compreensão dessas realidades locais. Como culminância, organizar uma visita a uma comunidade quilombola e a um terreiro, finalizando com uma roda de conversa com representantes de cada grupo.
Referências:
Sousa, Rai Araujo de. Associação FILÁNTROPICA ESPÍRITA DE UMBANDA CABOCLO TAPYNARÉ: UMA TRAJETÓRIA DE RESISTÊNCIA CULTURAL NO MUNICÍPIO DE PORANGA/CE (2011-2025). 2025. 72 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em 2025) – Universidade Estadual do Ceará, Crateús, 2025. Disponível em: <http://siduece.uece.br/siduece/trabalhoAcademicoPublico.jsf?id=120658>
+ Informações
- Poranga/Ce
- Não se adequa
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