Quadrilhas Juninas
Fundada em 1726, Fortaleza foi inicialmente periférica à economia colonial, ganhando centralidade a partir de 1799, com a autonomia política do Ceará e o comércio externo. No século XIX, consolidou-se como capital, com o passar do tempo, tornou-se uma importante metrópole regional com mais de 4 milhões de habitantes, rica em manifestações e espaços culturais, alguns reconhecidos oficialmente como patrimônios culturais da cidade.
No Nordeste, as festas juninas estão ligadas ao ciclo da colheita do milho e à devoção aos santos católicos, herança deixada pelos colonizadores portugueses. A quadrilha, de origem francesa e difundida pela Europa, chegou ao Brasil com a família real no início do século XIX. Antes restrita à elite, rapidamente se popularizou e foi ressignificada pelo povo, ganhando novas figuras e dinamismo. Tornou-se, assim, uma manifestação cultural importante, fortalecida pelos ensaios comunitários e pela participação intensa dos jovens.
A quadrilha junina constitui uma das mais importantes tradições populares de Fortaleza, profundamente enraizada na cultura e no cotidiano da cidade. Seu reconhecimento por meio de registro, o primeiro dessa natureza em âmbito municipal no Brasil, representa um marco significativo na valorização desse patrimônio cultural imaterial. Esse instrumento não apenas assegura visibilidade e proteção à manifestação, como também reafirma sua relevância para a construção da identidade, da memória e das práticas culturais do povo fortalezense, fortalecendo os vínculos comunitários e a continuidade dessa tradição ao longo das gerações.
Descrição:
A organização das quadrilhas permanece como uma prática comunitária, conduzida principalmente por grupos de jovens em escolas, clubes, condomínios ou de forma espontânea. Tradicionalmente, a apresentação se inicia com o casamento matuto, protagonizado por personagens como os noivos, seus pais, o padre, o juiz, o delegado, o sacristão, entre outros. Após a encenação, os convidados iniciam a dança.
O marcador conduz o ritmo e orienta a sequência dos passos, executados em pares e estruturados em filas, rodas e travessias. A música é tocada por conjunto regional com sanfona, triângulo e zabumba. As quadrilhas costumam reunir entre 14 e 24 pares e apresentam movimentos tradicionais como anavantur, serrote, grande roda, anarriê, túnel, caracol, beija-flor, caminho da roça, “olha a cobra!” e “olha a chuva!”.
Situação atual:
Mesmo influenciadas pelo mercado e pela mídia, as quadrilhas juninas preservam suas raízes comunitárias. O apoio municipal e seu reconhecimento como patrimônio cultural reforçam seu papel na inclusão social e na construção de identidades. Fortaleza foi a primeira cidade do Brasil a registrar as quadrilhas juninas como Patrimônio Imaterial do Município. Além do inventário e mapeamento das dezenas de quadrilhas espalhadas por diferentes regiões da capital, festivais promovidos pelo poder público fortalecem essa manifestação, que mobiliza brincantes, empreendedores e o público, movimentando a economia e o turismo na cidade. Ainda assim, é necessário ampliar ações de educação patrimonial e garantir apoio contínuo às quadrilhas ao longo de todo o ano e não somente no período junino.
Legislação:
Decreto municipal 16.276, de 20 de maio de 2025.
Como chegar:
Agenda Cultural: Vasta programação cultural pode ser acompanhada no instagram @culturadefortaleza
Funcionamento: Anualmente, nos meses de Junho e Julho.
Contato: @culturadefortaleza
Localização: Cidade de Fortaleza/CE
Acessibilidade: : Não se aplica.
Possibilidades de Educação patrimonial:
- Disciplina/Série Escolar: História – 3º Ano Fundamental.
- Objeto de Conhecimento: A cidade e suas atividades: trabalho, cultura e Lazer.
- Habilidades: Comparar as relações de trabalho e lazer do presente com as de outros tempos e
- espaços, analisando mudanças e permanências.
- Tema: Quadrilhas juninas: ontem e hoje
- Sugestão de atividades: Refletir com os alunos sobre a tradição da quadrilha junina como patrimônio cultural; Pedir que os alunos contem sobre o conhecimento que possuem sobre quadrilha junina; Pedir aos alunos que realizem entrevista com parentes mais idosos, perguntando sobre as quadrilhas juninas do passado; Pesquisar como são as quadrilhas juninas atualmente e apresentar trabalho comparando o passado e o presente das quadrilhas juninas.
Referências:
GOMES, Maryvone Moura. Um olhar sobre as festas juninas e seus novos cenários: O caso do São João de Maracanaú – Região Metropolitana de Fortaleza (RMF, Ceará). GeoTextos. vol. 7, n. 2, p. 99-120, dez. 2011. Disponível em: https://portalseer.ufba.br/index.php/geotextos/article/viewFile/5647/4089.
ROCHA, Henrique Pereira. Tradição e modernidade nas quadrilhas juninas em Fortaleza. Orientação: Erotilde Honório. 1995. 75 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação) – Curso de Comunicação Social, Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 1995.
Disponível em: https://repositorio.ufc.br/handle/riufc/5774
+ Informações
- Fortaleza/Ce
- Anualmente, nos meses de Junho e Julho
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