Vaquejada
Histórico:
Beberibe, nome tupi que significa “lugar onde cresce a cana”, foi distrito de Cascavel até consolidar-se definitivamente como município em 1955. Inicialmente ocupado por diversos povos indígenas como os Potiguaras e Jenipapo-Kanindé, o território foi dividido em sesmarias que foram povoadas ainda no início do século XVIII. Localizado no litoral leste do Ceará, o município é conhecido por suas praias, falésias coloridas, dunas, lagoas, manguezais, feiras tradicionais e um artesanato variado, como renda de bilro, renda de labirinto, bordados e peças de areia colorida.
Com mais de 50.000 habitantes, o município conserva diversas manifestações culturais, como reisados, festejos juninos, festas religiosas populares e festejos carnavalescos. Embora litorânea, a cidade também mantém viva a herança vaqueira e sertaneja, evidenciada pela prática da vaquejada, reconhecida como patrimônio cultural municipal em 2020.
Descrição:
Após a invasão portuguesa, o sertão nordestino foi ocupado a partir da expansão da pecuária, cujas boiadas abriram caminhos e contribuíram para o surgimento de diversas cidades do interior. A atividade tornou-se tão marcante que deu origem à chamada “civilização do couro”, moldando costumes, tradições e saberes da cultura vaqueira ainda presentes no Nordeste. Nesse contexto surgiram as “pegas” de gado e as festas de apartação, realizadas geralmente em julho para reunir, separar e marcar o rebanho, momentos que também deram origem aos primeiros torneios em que os vaqueiros demonstravam habilidade ao derrubar o boi pela cauda.
As vaquejadas não se limitam mais ao mês de junho e seguem um calendário estruturado em circuitos, geralmente com cinco ou seis eventos realizados em parques próximos. Esses parques possuem pistas padronizadas, onde as disputas ocorrem em duplas: o “puxador”, que derruba o boi, e o “esteira”, que segura a cauda e a entrega ao parceiro. O animal deve cair dentro da área demarcada entre duas faixas, com as patas levantadas; quando isso acontece, usa-se o termo “valeu boi”. Caso contrário, o resultado é “zero”. Apesar da diversas normas e regras criadas para minimizar os efeitos negativos aos animais, ainda é um grande desafio o equilíbrio entre tradição cultural e proteção animal.
Situação atual:
Para além da polêmica ambiental e cultural sobre sua legalização, a vaquejada passou por um processo de transformação impulsionado pela indústria cultural, tornando-se também um grande espetáculo de consumo e entretenimento. Nesse contexto, sua dimensão tradicional foi gradualmente associada a formatos comerciais, com organização em circuitos, definição de regras, datas e estrutura competitiva, ampliando público e modos de produção.
Assim, embora os valores culturais permaneçam presentes, parece que a busca por lucro passou a ocupar um lugar considerável na dinâmica do evento. Além das competições, as Vaquejadas são marcadas por festas que atraem uma grande quantidade de público. O município de Beberibe conta no seu histórico com as tradicionais vaquejadas nos parques Assis Lulu, GG e Haras Maurício. Não foi observado ações e iniciativas de promoção e preservação da vaquejada como patrimônio cultural imaterial de Beberibe.
Legislação:
Lei Municipal 1.320/2020 de 05 de setembro de 2020.
Como chegar: Empresas que possuem rotas de ônibus para Beberibe: Viação São Benedito.
Agenda Cultural: Pode acompanhar a programação cultural no instagram @parqueassislulu
Funcionamento: Anualmente, no mês de outubro.
Contato: @parqueassislulu
Localização: Forquilha, Beberibe/Ce.
Acessibilidade: : Não possui acessibilidade.
Possibilidades de Educação patrimonial:
- Disciplina/Série Escolar: História – 3º Ano Fundamental.
- Objeto de Conhecimento: A produção dos marcos da memória: a cidade e o campo, aproximações e diferenças.
- Habilidades: Identificar modos de vida na cidade e no campo no presente, comparando-os comos do passado.
- Tema: A cultura vaqueira em Beberibe.
- Sugestão de atividades: Em sala de aula, promover uma reflexão sobre o conceito de patrimônio cultural, destacando a vaquejada como expressão reconhecidas do patrimônio cultural de Beberibe. Em seguida, incentivar os alunos a compartilharem seus conhecimentos e vivências relacionadas à cultura vaqueira. Por fim, propor que tragam objetos vinculados a essa tradição para, em roda de conversa, analisar seus usos, significados e permanências, relacionando o passado e o presente dessas práticas no município.
Referências:
SANTOS, Manoel Silva dos. A importância cultural e econômica da vaquejada e a relevância do seu reconhecimento como patrimônio imaterial do Brasil. 2017. 55 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Ciências Econômicas) – Unidade Santana do Ipanema, Curso de Ciências Econômicas, Universidade Federal de Alagoas, Santana do Ipanema, 2018. Em https://www.repositorio.ufal.br/handle/riufal/3307
SANTOS, Paulo Henrique Ribeiro dos. Memórias alimentares dos moradores do município de Beberibe – Ceará: um relato sobre o manifesto cultural alimentar. 2018. 35 f. TCC (Graduação em Gastronomia) – Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2018. Disponível em: https://repositorio.ufc.br/handle/riufc/40895
+ Informações
- Forquilha, Beberibe/Ce
- Anualmente, no mês de outubro
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