Vaquejada, Cavalgada e Pega de Boi
Histórico:
O município de Morada Nova, localizado na região do Vale do Jaguaribe, originou-se em território inicialmente habitado pelos indígenas Paiacu, aldeados em 1699 na Aldeia de Nossa Senhora da Montanha. Com a expansão da pecuária no Ceará, formou-se um núcleo urbano que se desenvolveu a partir das fazendas Espírito Santo e Morada Nova, esta última fundada no século XVIII às margens do Rio Banabuiú. Emancipado de Russas em 1876, o local tornou-se município em 1925.
Com mais de 60 mil habitantes, Morada Nova destaca-se como uma das principais cidades do Vale do Jaguaribe. A forma como se deu a ocupação histórica do território influenciou diretamente a construção de sua identidade cultural. Embora o município preserve diversas manifestações, como festas religiosas populares, festejos juninos e a capoeira, a cultura vaqueira é a expressão mais marcante, presente em competições de vaquejada, cavalgadas e no seu principal espaço de memória, o Museu do Vaqueiro. Em 2021, a vaquejada, a cavalgada e a pega de boi foram reconhecidas como patrimônios culturais imateriais do município.
Descrição:
Após a invasão portuguesa, o sertão nordestino foi desbravado pelas boiadas que abriram caminhos e impulsionaram a formação de diversas cidades no interior. A pecuária tornou-se tão central que originou a chamada “civilização do couro”, influenciando costumes, tradições e saberes ligados à cultura vaqueira, ainda presentes em muitas regiões do Nordeste. Entre essas tradições destacam-se as “pegas” de gado, que deram origem às festas de apartação, realizadas no período de reunião do rebanho, geralmente em julho. Como as antigas fazendas não tinham cercas, os proprietários reuniam os vaqueiros para separar e marcar o gado destinado à venda. Nessas ocasiões surgiram também os primeiros torneios, nos quais o vaqueiro precisava capturar e derrubar o boi pela cauda.
Atualmente, as vaquejadas não se limitam mais ao mês de junho e seguem um calendário estruturado em circuitos, geralmente com cinco ou seis eventos realizados em parques próximos. Esses parques possuem pistas padronizadas, onde as disputas ocorrem em duplas: o “puxador”, que derruba o boi, e o “esteira”, que segura a cauda e a entrega ao parceiro. O animal deve cair dentro da área demarcada entre duas faixas, com as patas levantadas; quando isso acontece, “valeu boi”. Caso contrário, o resultado é “zero”. Apesar da diversas normas e regras criadas para minimizar os efeitos negativos aos animais, ainda é um grande desafio o equilíbrio entre tradição cultural e proteção animal.
Situação atual:
Para além da polêmica ambiental e cultural envolvendo a legalização da vaquejada, a transformação dessa prática em um espaço de consumo e entretenimento de grande público ocorreu com a influência da indústria cultural, que passou a moldar sua estrutura, forma e finalidade. Nesse processo, a festa incorporou novos formatos, públicos e modos de produção. A dimensão popular e tradicional da vaquejada foi sendo complementada por elementos comerciais, que impulsionaram sua organização em datas, locais e horários específicos, regras e normas de competição, conforme a lógica dos circuitos.
Embora os valores culturais da tradição vaqueira permaneçam vivos, observa-se que a mercantilização passou a ocupar espaço significativo na dinâmica das vaquejadas. Além das competições, esses eventos são marcados por grandes festas que atraem amplo público e movimentam a economia local. No histórico de Morada Nova, destacam-se as vaquejadas realizadas no Parque João de Deus Girão, onde também acontecem a tradicional Festa e a Missa do Vaqueiro. Merecem destaque, ainda, dois importantes lugares de memória mantidos pela Prefeitura — o Museu do Vaqueiro e a Praça do Vaqueiro — que reforçam a forte identificação desse patrimônio cultural com a memória social e a identidade da cidade.
Legislação:
Lei municipal 2007/2021 de 22 de junho de 2021.
Como chegar: Viação São Benedito
Agenda Cultural: Pode acompanhar a programação cultural no instagram @secultmoradanova
Funcionamento: Não se adequa.
Contato: Instagram @secultmoradanova
Localização: Morada Nova/CE
Acessibilidade: Não se adequa.
Possibilidades de Educação patrimonial:
- Disciplina/Série Escolar: História – 3º Ano Fundamental.
- Objeto de Conhecimento: A produção dos marcos da memória: a cidade e o campo, aproximações e diferenças.
- Habilidades: Identificar modos de vida na cidade e no campo no presente, comparando-os com
- os do passado.
- Tema: A cultura vaqueira em Morada Nova.
- Sugestão de atividades: Em sala de aula, promover uma reflexão sobre o conceito de patrimônio cultural, com ênfase na vaquejada como expressão cultural de Morada Nova. Incentivar os alunos a compartilharem seus conhecimentos e vivências relacionados à cultura vaqueira, valorizando saberes locais. Propor, ainda, que tragam objetos ligados a essa tradição para análise e discussão de seus usos, significados e transformações ao longo do tempo, estabelecendo relações entre o passado e o presente dessas práticas no município.
Referências:
SANTOS, Manoel Silva dos. A importância cultural e econômica da vaquejada e a relevância do seu reconhecimento como patrimônio imaterial do Brasil. 2017. 55 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Ciências Econômicas) – Unidade Santana do Ipanema, Curso de Ciências Econômicas, Universidade Federal de Alagoas, Santana do Ipanema, 2018. Disponível em: https://www.repositorio.ufal.br/handle/riufal/3307
Castro, José Marques Girão de. A festa do vaqueiro como dinamizador do turismo, do lazer e de negócios em Morada Nova-CE. 2020. 98 f. Dissertação (Mestrado Acadêmico ou Profissional em 2020) – Universidade Estadual do Ceará, Fortaleza, 2020. Disponível em: <http://siduece.uece.br/siduece/trabalhoAcademicoPublico.jsf?id=96953>
+ Informações
- Morada Nova/Ce
- Não se adequa
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