Imaterial

Vaquejada e Cavalguada

Histórico:

Localizado na região Centro-Sul do Ceará, território antes habitado por povos indígenas como os Icós e Cariús, Orós teve suas origens ligadas à instalação de fazendas no Boqueirão do Orós, ainda no século XIX. A área foi posteriormente reconhecida como estratégica para a construção de um grande reservatório hídrico. O povoamento consolidou-se com a chegada de famílias agricultoras e ganhou impulso decisivo na década de 1920, com o início das obras do açude — hoje o segundo maior do Ceará —, empreendimento que estruturou o núcleo urbano e favoreceu sua emancipação política. Desmembrado de Icó, Orós tornou-se município em 1956.

Com cerca de 20 mil habitantes, Orós preserva relevantes tradições culturais, especialmente ligadas às festas religiosas populares, aos festejos juninos e carnavalescos. Grande parte das manifestações artísticas e culturais ocorre no entorno de sua principal paisagem cultural, o Açude Orós, símbolo da identidade do município. Destaca-se ainda a forte presença da cultura vaqueira, expressa nas vaquejadas e cavalgadas realizadas nos distritos, reconhecidas como patrimônio cultural imaterial da cidade desde 2018.

Descrição:

Após a invasão portuguesa, o sertão nordestino foi ocupado a partir da expansão da pecuária, cujas boiadas abriram caminhos e contribuíram para o surgimento de diversas cidades do interior. A atividade tornou-se tão marcante que deu origem à chamada “civilização do couro”, moldando costumes, tradições e saberes da cultura vaqueira ainda presentes no Nordeste. Nesse contexto surgiram as “pegas” de gado e as festas de apartação, realizadas geralmente em julho para reunir, separar e marcar o rebanho, momentos que também deram origem aos primeiros torneios em que os vaqueiros demonstravam habilidade ao derrubar o boi pela cauda.

Atualmente, as vaquejadas não se limitam mais ao mês de junho e seguem um calendário estruturado em circuitos, geralmente com cinco ou seis eventos realizados em parques próximos. Esses parques possuem pistas padronizadas, onde as disputas ocorrem em duplas: o “puxador”, que derruba o boi, e o “esteira”, que segura a cauda e a entrega ao parceiro. O animal deve cair dentro da área demarcada entre duas faixas, com as patas levantadas; quando isso acontece, “valeu boi”. Caso contrário, o resultado é “zero”. Apesar da diversas normas e regras criadas para minimizar os efeitos negativos aos animais, ainda é um grande desafio o equilíbrio entre tradição cultural e proteção animal.

Situação atual:

Para além da polêmica ambiental e cultural envolvendo a legalização da vaquejada, a transformação dessa prática em um espaço de consumo e entretenimento de grande público ocorreu com a influência da indústria cultural, que passou a moldar sua estrutura, forma e finalidade. Nesse processo, a festa incorporou novos formatos, públicos e modos de produção. A dimensão popular e tradicional da vaquejada foi sendo complementada por elementos comerciais, que impulsionaram sua organização em datas, locais e horários específicos, regras e normas de competição, conforme a lógica dos circuitos.

Assim, embora os valores culturais permaneçam presentes, parece que a busca por lucro passou a ocupar um lugar considerável na dinâmica do evento. Além das competições, as Vaquejadas são marcadas por festas que atraem uma grande quantidade de público. O município de Orós conta no seu histórico com as tradicionais vaquejadas dos parques José Almir de Lucena em no distrito de Palestina e no parque Marlene Custódio na localidade de Guassussê. Não foi observado ações e iniciativas de promoção e preservação da vaquejada e nem da cavalguada de Guassussê como patrimônios culturais imateriais de Orós.

Legislação:

Lei municipal 126/2018 de 02 de março de 2018.

Como chegar: Expresso Guanabara

Agenda Cultural: Pode acompanhar a programação cultural no instagram @parque_jose_almir_de_lucena

; @parquemarlenecustodiio e @radiojcg

Funcionamento: Sem informações.

Contato: Instagram @parque_jose_almir_de_lucena

; @parquemarlenecustodiio e @radiojcg

Localização: Orós/Ce

Acessibilidade: Não possui acessibilidade.

Possibilidades de Educação patrimonial:

  • Disciplina/Série Escolar: História – 3º Ano Fundamental.
  • Objeto de Conhecimento: A produção dos marcos da memória: a cidade e o campo, aproximações e diferenças.
  • Habilidades: Identificar modos de vida na cidade e no campo no presente, comparando-os com
  • os do passado.
  • Tema: A cultura vaqueira em Orós.
  • Sugestão de atividades: Em sala de aula, promover uma reflexão sobre o conceito de patrimônio cultural, destacando a vaquejada e a cavalgada como expressões reconhecidas do patrimônio cultural de Orós. Em seguida, incentivar os alunos a compartilharem seus conhecimentos e vivências relacionadas à cultura vaqueira. Por fim, propor que tragam objetos vinculados a essa tradição para, em roda de conversa, analisar seus usos, significados e permanências, relacionando o passado e o presente dessas práticas no município.

Referências:

SANTOS, Manoel Silva dos. A importância cultural e econômica da vaquejada e a relevância do seu reconhecimento como patrimônio imaterial do Brasil. 2017. 55 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Ciências Econômicas) – Unidade Santana do Ipanema, Curso de Ciências Econômicas, Universidade Federal de Alagoas, Santana do Ipanema, 2018. Em https://www.repositorio.ufal.br/handle/riufal/3307

https://www.portaloros.com.br/p/nossa-historia.html?form=MG0AV3

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+ Informações

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