Vaquejada e expressões decorrentes
Histórico:
Em território originalmente habitado por povos indígenas como os Kanindé, Paiakus e Taririús, o município de Senador Pompeu, situado no Sertão Central do Ceará, tem suas origens no século XVIII, a partir das sesmarias concedidas em 1723 às margens do rio Codiá, onde se constituiu o Arraial do Codiá. Inicialmente denominado Humaitá, o povoado teve o nome alterado em 1896, ao emancipar-se politicamente por desmembramento de Mombaça (então Maria Pereira), passando a homenagear o senador Tomás Pompeu de Sousa Brasil. Em 1901, foi elevado à categoria de cidade, consolidando sua organização político-administrativa.
Com população em torno de 26 mil habitantes, Senador Pompeu abriga edificações remanescentes dos chamados campos de concentração da seca de 1932, espaços de profundo simbolismo histórico e religioso para a memória local. O município também preserva ricas manifestações culturais, como festas religiosas populares, os tradicionais Caretas, festejos juninos e a capoeira, entre outras expressões. Inserida em uma região de forte tradição vaqueira, a vaquejada ocupa lugar de destaque na identidade cultural, tendo sido reconhecida como patrimônio cultural em 2017.
Descrição:
Após a invasão portuguesa, o sertão nordestino foi desbravado pelas boiadas que abriram caminhos e impulsionaram a formação de diversas cidades no interior. A pecuária tornou-se tão central que originou a chamada “civilização do couro”, influenciando costumes, tradições e saberes ligados à cultura vaqueira, ainda presentes em muitas regiões do Nordeste.
Entre essas tradições destacam-se as “pegas” de gado, que deram origem às festas de apartação, realizadas no período de reunião do rebanho, geralmente em julho. Como as antigas fazendas não tinham cercas, os proprietários reuniam os vaqueiros para separar e marcar o gado destinado à venda. Nessas ocasiões surgiram também os primeiros torneios, nos quais o vaqueiro precisava capturar e derrubar o boi pela cauda.
Atualmente, as vaquejadas não se limitam mais ao mês de junho e seguem um calendário estruturado em circuitos, geralmente com cinco ou seis eventos realizados em parques próximos. Esses parques possuem pistas padronizadas, onde as disputas ocorrem em duplas: o “puxador”, que derruba o boi, e o “esteira”, que segura a cauda e a entrega ao parceiro. O animal deve cair dentro da área demarcada entre duas faixas, com as patas levantadas; quando isso acontece, “valeu boi”. Caso contrário, o resultado é “zero”. Apesar da diversas normas e regras criadas para minimizar os efeitos negativos aos animais, ainda é um grande desafio o equilíbrio entre tradição cultural e proteção animal.
Situação atual:
Para além da polêmica ambiental e cultural envolvendo a legalização da vaquejada, a transformação dessa prática em um espaço de consumo e entretenimento de grande público ocorreu com a influência da indústria cultural, que passou a moldar sua estrutura, forma e finalidade. Nesse processo, a festa incorporou novos formatos, públicos e modos de produção. A dimensão popular e tradicional da vaquejada foi sendo complementada por elementos comerciais, que impulsionaram sua organização em datas, locais e horários específicos, regras e normas de competição, conforme a lógica dos circuitos.
Assim, embora os valores culturais permaneçam presentes, parece que a busca por lucro passou a ocupar um lugar considerável na dinâmica do evento. Além das competições, as Vaquejadas são marcadas por festas que atraem uma grande quantidade de público. O município de Senador Pompeu conta no seu histórico com as tradicionais vaquejadas dos parques Santa Edwiges KM 12 e Socorro Estevão. Não foi observado ações e iniciativas de promoção e preservação da vaquejada como patrimônio cultural imaterial de Senador Pompeu.
Legislação:
Lei municipal 1458/2017, de 19 de setembro de 2017.
Como chegar: Expresso Guanabara
Agenda Cultural: Sem informações.
Funcionamento: Anualmente.
Contato: Sem informações.
Localização: Senador Pompeu – Ce.
Acessibilidade: Não possui acessibilidade.
Possibilidades de Educação patrimonial:
- Disciplina/Série Escolar: História – 3º Ano Fundamental.
- Objeto de Conhecimento: A produção dos marcos da memória: a cidade e o campo, aproximações e diferenças.
- Habilidades: Identificar modos de vida na cidade e no campo no presente, comparando-os com
- os do passado.
- Tema: A cultura vaqueira em Senador Pompeu.
- Sugestão de atividades: Em sala de aula, promover uma reflexão sobre a noção de patrimônio cultural, com ênfase na vaquejada como expressão reconhecida da identidade de Senador Pompeu, no Ceará. Incentivar os alunos a compartilharem seus conhecimentos e vivências acerca da cultura vaqueira, valorizando saberes locais e memórias familiares. Como atividade prática, solicitar que tragam objetos relacionados a esse universo cultural, como indumentárias, instrumentos ou utensílios, para analisar seus usos, significados e transformações ao longo do tempo, estabelecendo um diálogo entre passado e presente das práticas vaqueiras no município.
Referências:
SANTOS, Manoel Silva dos. A importância cultural e econômica da vaquejada e a relevância do seu reconhecimento como patrimônio imaterial do Brasil. 2017. 55 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Ciências Econômicas) – Unidade Santana do Ipanema, Curso de Ciências Econômicas, Universidade Federal de Alagoas, Santana do Ipanema, 2018. Em https://www.repositorio.ufal.br/handle/riufal/3307
LIMA, Pedro Paulo Monteirode; TRINDADE, Hermanny Clean Santana; CAMPOS, Lucas Cruz. A VAQUEJADA COMO PATRIMÔNIO CULTURAL IMATERIAL: A DEFESA DA CULTURA NA PERSPECTIVA DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, [S. l.], v. 11, n. 6, p. 1535–1549, 2025. DOI: 10.51891/rease.v11i6.197
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