Imaterial

Vaquejada, Pega de Boi, Cavalguada

Situada na região do Vale do Jaguaribe e em território originalmente habitado por povos indígenas, entre eles o povo Payacu, Palhano tem suas origens na primeira metade do século XVIII, com a concessão de uma sesmaria às margens do Riacho da Cruz, área que deu origem ao povoado Cruz do Palhano. Em 1882, o núcleo foi elevado à categoria de distrito e passou por sucessivas mudanças administrativas até receber oficialmente o nome de Palhano, em 1938. A emancipação política ocorreu em 1958, quando o distrito foi elevado à condição de município autônomo.

Com quase 10 mil habitantes, Palhano preserva uma rica diversidade de manifestações culturais, reveladas nas festas religiosas populares, nos festejos juninos e no artesanato em palha, saber tradicional que integra a identidade local. Destacam-se também as práticas ligadas à cultura vaqueira — como a vaquejada, a pega de boi no mato e as cavalgadas — que mobilizam a comunidade e reafirmam vínculos com a história sertaneja da região. Pelo seu valor histórico e simbólico, essas expressões foram reconhecidas como patrimônios culturais do município em 2018.

Descrição:

Após a invasão portuguesa, o sertão nordestino foi desbravado pelas boiadas que abriram caminhos e impulsionaram a formação de diversas cidades no interior. A pecuária tornou-se tão central que originou a chamada “civilização do couro”, influenciando costumes, tradições e saberes ligados à cultura vaqueira, ainda presentes em muitas regiões do Nordeste. Entre essas tradições destacam-se as “pegas” de gado, que deram origem às festas de apartação, realizadas no período de reunião do rebanho, geralmente em julho. Como as antigas fazendas não tinham cercas, os proprietários reuniam os vaqueiros para separar e marcar o gado destinado à venda. Nessas ocasiões surgiram também os primeiros torneios, nos quais o vaqueiro precisava capturar e derrubar o boi pela cauda.

Atualmente, as vaquejadas não se limitam mais ao mês de junho e seguem um calendário estruturado em circuitos, geralmente com cinco ou seis eventos realizados em parques próximos. Esses parques possuem pistas padronizadas, onde as disputas ocorrem em duplas: o “puxador”, que derruba o boi, e o “esteira”, que segura a cauda e a entrega ao parceiro. O animal deve cair dentro da área demarcada entre duas faixas, com as patas levantadas; quando isso acontece, “valeu boi”. Caso contrário, o resultado é “zero”. Apesar da diversas normas e regras criadas para minimizar os efeitos negativos aos animais, ainda é um grande desafio o equilíbrio entre tradição cultural e proteção animal.

Situação atual:

Ao longo do tempo, a vaquejada passou por transformações que ampliaram seu alcance para além de sua dimensão tradicional. Influenciada pela indústria do entretenimento, a prática incorporou novos formatos de organização, públicos e formas de participação, tornando-se um evento estruturado em circuitos competitivos, com regras, calendários e espaços específicos, sem deixar de manter vínculos com suas origens culturais. Além das competições, as Vaquejadas são marcadas por festas que atraem uma grande quantidade de público. O município de Palhano conta no seu histórico com as tradicionais vaquejadas do Parque Integração.

Legislação:

Lei municipal 618/2018 de 19 de dezembro de 2018.

Como chegar: Expresso Guanabara

Agenda Cultural: Pode acompanhar a programação cultural no instagram @parqueintegracao

Funcionamento: Não se adequa.

Contato: Instagram @parqueintegracao

Localização: Centro, Palhano/Ce

Acessibilidade: Não possui medidas de acessibilidade.

Possibilidades de Educação patrimonial:

  • Disciplina/Série Escolar: História – 3º Ano Fundamental.
  • Objeto de Conhecimento: A produção dos marcos da memória: a cidade e o campo, aproximações e diferenças.
  • Habilidades: Identificar modos de vida na cidade e no campo no presente, comparando-os com
  • os do passado.
  • Tema: A cultura vaqueira em Palhano.
  • Sugestão de atividades: Em sala de aula, promover uma reflexão crítica sobre o conceito de patrimônio cultural, destacando a vaquejada como uma importante manifestação da identidade cultural de Palhano. Estimular os estudantes a compartilharem seus conhecimentos, experiências e memórias relacionadas à cultura vaqueira, valorizando os saberes locais e as tradições transmitidas entre gerações. Como atividade prática, propor que os alunos tragam objetos vinculados a esse universo cultural, como vestimentas, instrumentos, acessórios ou utensílios, para que sejam analisados quanto às suas funções, significados simbólicos e mudanças ao longo do tempo. A partir dessa análise, incentivar a construção de relações entre o passado e o presente das práticas vaqueiras, compreendendo sua permanência e transformação na cultura local.

Referências:

SANTOS, Manoel Silva dos. A importância cultural e econômica da vaquejada e a relevância do seu reconhecimento como patrimônio imaterial do Brasil. 2017. 55 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Ciências Econômicas) – Unidade Santana do Ipanema, Curso de Ciências Econômicas, Universidade Federal de Alagoas, Santana do Ipanema, 2018. Em https://www.repositorio.ufal.br/handle/riufal/3307

LIMA, Pedro Paulo Monteirode; TRINDADE, Hermanny Clean Santana; CAMPOS, Lucas Cruz. A VAQUEJADA COMO PATRIMÔNIO CULTURAL IMATERIAL: A DEFESA DA CULTURA NA PERSPECTIVA DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação[S. l.], v. 11, n. 6, p. 1535–1549, 2025. DOI: 10.51891/rease.v11i6.19707. Disponível em: https://periodicorease.pro.br/rease/article/view/197

https://www.palhano.ce.gov.br/omunicipio.php

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+ Informações

  • Centro, Palhano/Ce
  • Não se adequa

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