Vaquejada
Histórico:
Habitada inicialmente por povos indígenas, como os Potiguara, a região de Morrinhos começou a se desenvolver no século XVIII, quando o Vale do Acaraú já era ocupado por fazendas de gado e lavouras às margens do Rio Acaraú. O povoado surgiu em torno da Capela do Sagrado Coração de Maria. Chamado inicialmente Alto das Flores, passou a denominar-se Morrinhos no início do século XX, em referência aos morros da região. Tornou-se distrito de Santana do Acaraú em 1938 e conquistou a emancipação política em 1957.
Com cerca de 23 mil habitantes, o município de Morrinhos preserva um rico acervo cultural marcado por tradições que atravessam gerações. Destacam-se os festejos juninos, a religiosidade popular, os reisados e as festas carnavalescas. A cultura vaqueira também ocupa lugar central na vida social e histórica da cidade, refletindo a forte relação da população com o sertão e a criação de gado. Entre essas expressões, sobressai a vaquejada, reconhecida oficialmente como patrimônio cultural do município em 2024.
Descrição:
Após a invasão portuguesa, o sertão nordestino foi desbravado pelas boiadas que abriram caminhos e impulsionaram a formação de diversas cidades no interior. A pecuária tornou-se tão central que originou a chamada “civilização do couro”, influenciando costumes, tradições e saberes ligados à cultura vaqueira, ainda presentes em muitas regiões do Nordeste. Entre essas tradições destacam-se as “pegas” de gado, que deram origem às festas de apartação, realizadas no período de reunião do rebanho, geralmente em julho. Como as antigas fazendas não tinham cercas, os proprietários reuniam os vaqueiros para separar e marcar o gado destinado à venda. Nessas ocasiões surgiram também os primeiros torneios, nos quais o vaqueiro precisava capturar e derrubar o boi pela cauda.
Atualmente, as vaquejadas não se limitam mais ao mês de junho e seguem um calendário estruturado em circuitos, geralmente com cinco ou seis eventos realizados em parques próximos. Esses parques possuem pistas padronizadas, onde as disputas ocorrem em duplas: o “puxador”, que derruba o boi, e o “esteira”, que segura a cauda e a entrega ao parceiro. O animal deve cair dentro da área demarcada entre duas faixas, com as patas levantadas; quando isso acontece, “valeu boi”. Caso contrário, o resultado é “zero”. Apesar da diversas normas e regras criadas para minimizar os efeitos negativos aos animais, ainda é um grande desafio o equilíbrio entre tradição cultural e proteção animal.
Situação atual:
Para além da polêmica ambiental e cultural envolvendo a legalização da vaquejada, a transformação dessa prática em um espaço de consumo e entretenimento de grande público ocorreu com a influência da indústria cultural, que passou a moldar sua estrutura, forma e finalidade. Nesse processo, a festa incorporou novos formatos, públicos e modos de produção. A dimensão popular e tradicional da vaquejada foi sendo complementada por elementos comerciais, que impulsionaram sua organização em datas, locais e horários específicos, regras e normas de competição, conforme a lógica dos circuitos. Além das competições, esses eventos são marcados por grandes festas que atraem amplo público e movimentam a economia local. No histórico de Morrinhos, destacam-se as vaquejadas realizadas nos Parques Três Paixões e Areal.
Legislação:
Lei municipal 829/2024 de 13 de junho de 2024.
Como chegar: Expresso Guanabara
Agenda Cultural: Pode acompanhar a programação cultural no instagram @parque_areal e @parque_tres_paixao
Funcionamento: Não se adequa.
Contato: Instagram @parque_areal e @parque_tres_paixao
Localização: Morrinhos/CE
Acessibilidade: Não se adequa.
Possibilidades de Educação patrimonial:
- Disciplina/Série Escolar: História – 3º Ano Fundamental.
- Objeto de Conhecimento: A produção dos marcos da memória: a cidade e o campo, aproximações e diferenças.
- Habilidades: Identificar modos de vida na cidade e no campo no presente, comparando-os com
- os do passado.
- Tema: A cultura vaqueira em Morrinhos.
- Sugestão de atividades: Em sala de aula, promover uma reflexão sobre o conceito de patrimônio cultural, com ênfase na vaquejada como expressão cultural de Morrinhos. Incentivar os alunos a compartilharem seus conhecimentos e vivências relacionados à cultura vaqueira, valorizando saberes locais. Propor, ainda, que tragam objetos ligados a essa tradição para análise e discussão de seus usos, significados e transformações ao longo do tempo, estabelecendo relações entre o passado e o presente dessas práticas no município.
Referências:
SANTOS, Manoel Silva dos. A importância cultural e econômica da vaquejada e a relevância do seu reconhecimento como patrimônio imaterial do Brasil. 2017. 55 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Ciências Econômicas) – Unidade Santana do Ipanema, Curso de Ciências Econômicas, Universidade Federal de Alagoas, Santana do Ipanema, 2018. Disponível em: https://www.repositorio.ufal.br/handle/riufal/3307
SILVEIRA, Cid Morais. “Fagueira esperança de melhores dias”: o Centro Social Morrinhense e a invenção da cidade emancipada (1952-1959). 2018. 198f. Dissertação (Mestrado em História) – Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, 2018. Disponível em: https://repositorio.ufrn.br/items/4896709e-fe70-4650-bb25-bb3b678fe08d
https://morrinhosceara.blogspot.com/2010/04/um-pouco-de-sua-historia.html
+ Informações
- Morrinhos/Ce
- Não se adequa
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