Cavalgada de Nossa Senhora da Soledade
Histórico:
O município de São Gonçalo do Amarante, situado na Região Metropolitana de Fortaleza, teve sua ocupação iniciada na área onde hoje se localiza o distrito de Siupé, marcada pela presença da Igreja de Nossa Senhora da Soledade, importante símbolo histórico e religioso da formação local. Antes da colonização, o território era habitado por povos indígenas, especialmente os Anacé, que ainda existem e resistem no território. Com a consolidação do aldeamento, surgiram as primeiras moradias e edificações religiosas, contribuindo para a formação do povoado. Foi elevado à categoria de vila com a denominação de Paracuru, em1868, e apenas em 1921 começou a se chamar São Gonçalo do Amarante.
Com mais de 50 mil habitantes, São Gonçalo do Amarante mantém viva uma rica diversidade de manifestações culturais e tradições populares, entre elas a dança do coco, a dança de São Gonçalo, os reisados, os festejos juninos, o artesanato e a dança do toré do povo Anacé, além de importantes edificações históricas que compõem a memória local. Destacam-se ainda as celebrações religiosas dedicadas ao santo padroeiro do município e a Nossa Senhora da Soledade, que mobilizam a comunidade em diversas atividades culturais. Entre essas expressões, sobressai a tradicional cavalgada em homenagem à santa, reconhecida como patrimônio cultural em 2022.
Descrição:
A devoção a Nossa Senhora da Soledade, difundida entre os séculos XVII e XVIII na Península Ibérica, chegou ao Ceará pelos portugueses. Seu principal centro no estado é o distrito de Siupé, em São Gonçalo do Amarante, onde está localizada uma das igrejas mais antigas do Ceará, construída no início do século XVIII e tombada em 1991. As romarias locais têm quase três séculos e se originam da tradição da imagem encontrada aos pés de uma gameleira. As festividades, realizadas por dez dias no fim de agosto, incluem missas, novenas, procissões, leilões e, desde 2001, a cavalgada em homenagem à santa, que também expressa a cultura sertaneja e vaqueira.
Reconhecida como patrimônio cultural municipal em 2022, a Cavalgada de Nossa Senhora da Soledade reúne cerca de 1.500 cavaleiros e amazonas em um percurso de quase 15 km entre o centro de São Gonçalo e o distrito de Siupé. A saída ocorre na Lagoa da Prejubaca, com apresentações culturais, bênção dos cavaleiros e atos cívicos. Ao longo do trajeto, a imagem da santa segue à frente enquanto novos participantes se juntam à marcha, que atrai visitantes e movimenta a economia local.
Situação atual:
A Cavalgada é uma manifestação de forte significado religioso, cultural e identitário, integrando memórias individuais e coletivas da comunidade. Bem estruturada e com grande participação popular, conta com apoio da Prefeitura e da Associação dos Vaqueiros. Apesar da relevância cultural, ainda carece de ações de educação patrimonial que valorizem e difundam a Cavalgada como patrimônio da cidade.
Legislação: Lei Municipal 1703/2022 de 13 de setembro de 2022.
Como chegar: Empresas que possuem rotas de ônibus para São Gonçalo do Amarante: Expresso Guanabara.
Agenda Cultural: Vasta programação cultural religiosa que pode ser acompanhada no instagram @capelansdasoledadedesiupe
Funcionamento: Não se aplica
Contato: @capelansdasoledadedesiupe e @culturadesga
Localização: Lagoa da Prejubaca, Alto Vintém, São Gonçalo do Amarante – CE, 62670-000
Acessibilidade: não possuem medidas de acessibilidade.
Possibilidades de Educação patrimonial:
- Disciplina/Série Escolar: História – 3º ano Fundamental.
- Objeto de Conhecimento: A produção dos marcos da memória: a cidade e o campo, aproximações e diferenças.
- Habilidades: Identificar modos de vida na cidade e no campo no presente, comparando-os com os do passado.
- Tema: As cavalgadas como referência cultural das comunidades do campo.
- Sugestão de atividades: Promover, em sala de aula, uma reflexão sobre a tradição da Cavalgada de Nossa Senhora da Soledade como importante patrimônio cultural do município, ressaltando seus significados históricos, religiosos e sociais para a comunidade. Em seguida, estimular os alunos a compartilharem conhecimentos, memórias e experiências relacionadas às cavalgadas e ao cotidiano do meio rural, valorizando os saberes e vivências da turma. Posteriormente, propor uma pesquisa sobre as diferentes manifestações culturais presentes nas comunidades rurais locais. Organizados em equipes, os estudantes deverão selecionar uma dessas expressões culturais para investigar, registrar informações e produzir trabalhos criativos, que serão apresentados à comunidade escolar, promovendo a socialização do conhecimento, o fortalecimento da identidade cultural e a valorização das tradições locais.
Referências:
Medeiros, Fabrícia Evellyn Araújo. Patrimônio, festa e tradição [manuscrito] : a cavalgada de São José no distrito de São José da Mata – Campina Grande/PB (1995 – 2020). Monografia (Especialização em Estudos de História Local, Sociedade, Educação e Cultura) – Universidade Estadual da Paraíba. Disponível em https://dspace.bc.uepb.edu.br/xmlui/handle/123456789/22260
Perfil histórico, geográfico e antropológico dos municípios do Ceará [livro eletrônico] / Seridião Correia Montenegro. – Fortaleza: INESP, 2023 Disponível em: https://www.institutodoceara.org.br/arquivos/Livros/PERFIL%20HIST%C3%93RICO%2C%20GE OGR%C3%81FICO%20E%20ANTROPOL%C3%93GICO%20DOS%20MUNIC%C3%8DPIOS%20DO% 20CEAR%C3%81%20-%20TOMO%201%20-%20INESP%20-%20ALECE.pdf
https://territoriodobrincar.com.br/brincadeiras/cavalinho-de-carnaubeira/
BENEDITO, Igor Mário Rodrigues. O ensino de história no primeiro ano do ensino fundamental: território e patrimônio cultural. 2025. 130 f. Dissertação (Mestrado em História) – Mestrado Profissional em Ensino de História, Centro de Humanidades, Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2025. Disponível em: https://repositorio.ufc.br/bitstream/riufc/80570/4/2025_dis_imrbenedito.pdf
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