Pão artesanal manual (pão tripinha)
Histórico:
O município de Tianguá, localizado na região da Serra da Ibiapaba, no Ceará, tem sua origem ligada às antigas terras habitadas pelos povos indígenas Tabajaras. Inicialmente conhecido como Mocozal e, posteriormente, Barrocão, o povoamento começou a se consolidar no século XVIII com a ocupação agrícola e a formação de pequenas propriedades. O crescimento da localidade ocorreu em torno de uma capela dedicada a Sant’Ana. Em 1890, a localidade passou a adotar o nome Tianguá, palavra de origem indígena que pode significar “gancho de agarrar”, e tornou-se município, sendo elevada à categoria de cidade em 1938.
Com mais de 80 mil habitantes, Tianguá destaca-se como a principal cidade da Serra da Ibiapaba. O município preserva uma rica diversidade de manifestações culturais expressas na literatura, reisados, festas juninas, festas religiosas populares de diferentes matizes, nos prédios históricos, no artesanato, no drama, na dança de São Gonçalo e na gastronomia local, com destaque para a tradicional iguaria formiga tanajura e o pão artesanal manual (pão tripinha), reconhecido como patrimônio cultural imaterial de Tianguá, em 2015.
Descrição:
O tradicional artesanal manual, mais conhecido como pão tripinha ou pão de cará, é um saber fazer centenário e se confunde com a história de Tianguá. Essa receita da gastronomia local representa um dos símbolos mais marcantes da identidade cultural da cidade. Produzido de forma artesanal há várias gerações, esse alimento conquistou reconhecimento por seu preparo manual cuidadoso, pelo uso do forno a lenha e pelo sabor levemente adocicado que o diferencia dos demais pães da região.
Presente nas feiras e padarias artesanais da cidade, como a padaria Roberto Cará, especialmente nas primeiras horas da manhã, o pão tripinha tornou-se parte da rotina e da memória afetiva dos moradores, sendo tradicionalmente consumido acompanhado de café. Sua receita é elaborada com ingredientes simples, como farinha de trigo, fermento, açúcar, sal, ovos, leite e manteiga, que, após o processo de mistura e modelagem manual característica, resultam em uma massa macia, leve e muito apreciada.
Situação atual:
O pão tripinha permanece profundamente ligado aos antigos produtores e às famílias tradicionais de Tianguá, especialmente aos mestres padeiros que, ao longo das gerações, mantêm viva essa tradição por meio da preservação dos saberes, sabores e práticas artesanais que compõem a identidade cultural local. Reconhecido como um dos principais símbolos da gastronomia tianguaense, esse patrimônio cultural demanda ações mais efetivas de valorização, divulgação e educação patrimonial, capazes de fortalecer sua preservação e ampliar seu potencial como instrumento de desenvolvimento local, geração de renda e afirmação da memória coletiva da comunidade.
Legislação:
Lei municipal 881/2015, de 22 de abril de 2015.
Como chegar: Expresso Guanabara.
Agenda Cultural: Não se aplica.
Funcionamento: Diariamente, 05h30 às 09h da manhã.
Contato: @padariaartesanalrobertocara
Localização: Rua Capitão Joaquim Lourenço, 955, Centro, Tianguá/Ce. (Padaria Artesanal Roberto Cará)
Acessibilidade: : não se aplica.
Possibilidades de Educação patrimonial:
- Disciplina/Série Escolar: História – 3º Ano Fundamental.
- Objeto de Conhecimento: Os patrimônios históricos e culturais da cidade e/ou do município em que vive.
- Habilidades: Identificar os patrimônios históricos e culturais de sua cidade ou região e discutiras razões culturais, sociais e políticas para que assim sejam considerados.
- Tema: Culinária de Tianguá como patrimônio cultural.
- Sugestão de atividades: Promover, junto aos estudantes, momentos de reflexão a partir de suas próprias vivências sobre receitas e práticas alimentares tradicionais, tomando como referência o pão tripinha e sua relevância cultural em Tianguá. A atividade propõe que os alunos investiguem a memória culinária de suas famílias, por meio de entrevistas com parentes mais antigos, buscando identificar receitas, histórias e modos de preparo que atravessam gerações. Posteriormente, os estudantes irão organizar as informações em um trabalho, apresentando a receita escolhida, seu contexto cultural e modo de preparo. Para enriquecer a atividade, poderão levar uma amostra do alimento para partilha em sala, favorecendo a troca de experiências e a valorização da cultura e da memória local.
Referências:
AZEVEDO, DALILA ARRUDA. A TANAJURA EM TIANGUÁ: O PATRIMÔNIO IMATERIAL COMO POSSIBILIDADE PARA O ENSINO DE HISTÓRIA LOCAL. 2014. 65 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Especialização em 2014) – Universidade Estadual do Ceará, , 2014. Disponível em: <http://siduece.uece.br/siduece/trabalhoAcademicoPublico.jsf?id=91859>
+ Informações
- Rua Capitão Joaquim Lourenço, 955, Centro, Tianguá/Ce. (Padaria Artesanal Roberto Cará)
- Diariamente, 05h30 às 09h da manhã
Torne-se um colaborador
Deseja contribuir com nosso site?
Deseja tornar-se um patrocinador e contribuir para a melhoria da qualidade dos conteúdos do nosso site? Entre em contato.
Entrar em contato