Vaquejada, cavalgada e a pega de boi
Histórico:
O município de Madalena, situado nos Sertões de Canindé, região originalmente habitada pelos povos indígenas Canindé e Jenipapo-Canindé, teve sua origem em 1840, a partir da doação de terras realizada por Antônio Costa Vieira. A ocupação progressiva dessas terras, aliada à construção da primeira igreja, dedicada a Nossa Senhora da Imaculada Conceição, impulsionou o crescimento do núcleo populacional e consolidou a formação da localidade. Em 1951, Madalena foi elevada à categoria de distrito, subordinado ao município de Quixeramobim, alcançando sua emancipação política definitiva no ano de 1986.
Com cerca de 17 mil habitantes, Madalena destaca-se por sua diversidade cultural, evidenciada em festejos religiosos de diferentes matrizes, festas juninas e reisados, além de manifestações tradicionais como a vaquejada, cavalgada e a pega de boi, expressões da cultura sertaneja reconhecidas como patrimônio cultural imaterial municipal em 2021.
Descrição:
Após a invasão portuguesa, o sertão nordestino foi desbravado pelas boiadas que abriram caminhos e impulsionaram a formação de diversas cidades no interior. A pecuária tornou-se tão central que originou a chamada “civilização do couro”, influenciando costumes, tradições e saberes ligados à cultura vaqueira, ainda presentes em muitas regiões do Nordeste. Entre essas tradições destacam-se as “pegas” de gado, que deram origem às festas de apartação, realizadas no período de reunião do rebanho, geralmente em julho. Como as antigas fazendas não tinham cercas, os proprietários reuniam os vaqueiros para separar e marcar o gado destinado à venda. Nessas ocasiões surgiram também os primeiros torneios, nos quais o vaqueiro precisava capturar e derrubar o boi pela cauda.
Atualmente, as vaquejadas não se limitam mais ao mês de junho e seguem um calendário estruturado em circuitos, geralmente com cinco ou seis eventos realizados em parques próximos. Esses parques possuem pistas padronizadas, onde as disputas ocorrem em duplas: o “puxador”, que derruba o boi, e o “esteira”, que segura a cauda e a entrega ao parceiro. O animal deve cair dentro da área demarcada entre duas faixas, com as patas levantadas; quando isso acontece, “valeu boi”. Caso contrário, o resultado é “zero”. Apesar da diversas normas e regras criadas para minimizar os efeitos negativos aos animais, ainda é um grande desafio o equilíbrio entre tradição cultural e proteção animal.
Situação atual:
Ao longo do tempo, a vaquejada passou por transformações que ampliaram seu alcance para além de sua dimensão tradicional. Influenciada pela indústria do entretenimento, a prática incorporou novos formatos de organização, públicos e formas de participação, tornando-se um evento estruturado em circuitos competitivos, com regras, calendários e espaços específicos, sem deixar de manter vínculos com suas origens culturais. Além das competições, as Vaquejadas são marcadas por festas que atraem uma grande quantidade de público. O município de Madalena conta no seu histórico com as tradicionais vaquejadas dos parques Teixeira e Francisco Rodrigues, além da realização de um circuito de vaquejada promovido pelo poder público municipal.
Legislação:
Lei municipal 609/2021 de 19 de maio de 2021.
Como chegar: Viação Princesa dos Inhamuns.
Agenda Cultural: Pode acompanhar a programação cultural no instagram @secult.madalena
Funcionamento: Não se adequa.
Contato: Instagram @secult.madalena
Localização: Madalena/CE.
Acessibilidade: Não se adequa.
Possibilidades de Educação patrimonial:
- Disciplina/Série Escolar: História – 3º Ano Fundamental.
- Objeto de Conhecimento: A produção dos marcos da memória: a cidade e o campo, aproximações e diferenças.
- Habilidades: Identificar modos de vida na cidade e no campo no presente, comparando-os com
- os do passado.
- Tema: A cultura vaqueira em Madalena.
- Sugestão de atividades: Em sala de aula, promover uma reflexão crítica sobre o conceito de patrimônio cultural, destacando a vaquejada como uma importante manifestação da identidade cultural de Madalena. Estimular os estudantes a compartilharem seus conhecimentos, experiências e memórias relacionadas à cultura vaqueira, valorizando os saberes locais e as tradições transmitidas entre gerações. Como atividade prática, propor que os alunos tragam objetos vinculados a esse universo cultural, como vestimentas, instrumentos, acessórios ou utensílios, para que sejam analisados quanto às suas funções, significados simbólicos e mudanças ao longo do tempo. A partir dessa análise, incentivar a construção de relações entre o passado e o presente das práticas vaqueiras, compreendendo sua permanência e transformação na cultura local.
Referências:
SANTOS, Manoel Silva dos. A importância cultural e econômica da vaquejada e a relevância do seu reconhecimento como patrimônio imaterial do Brasil. 2017. 55 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Ciências Econômicas) – Unidade Santana do Ipanema, Curso de Ciências Econômicas, Universidade Federal de Alagoas, Santana do Ipanema, 2018. Em https://www.repositorio.ufal.br/handle/riufal/3307
LIMA, Pedro Paulo Monteirode; TRINDADE, Hermanny Clean Santana; CAMPOS, Lucas Cruz. A VAQUEJADA COMO PATRIMÔNIO CULTURAL IMATERIAL: A DEFESA DA CULTURA NA PERSPECTIVA DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, [S. l.], v. 11, n. 6, p. 1535–1549, 2025. DOI: 10.51891/rease.v11i6.19707. Disponível em: https://periodicorease.pro.br/rease/article/view/197
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