Vaquejada, cavalgada e pega de boi no mato
Histórico:
Choró é um município do Ceará cujo nome tem origem no tupi-guarani chorron, associado ao canto murmurado de um pássaro. A região foi inicialmente habitada por povos indígenas, como os Jenipapo-Kanindé. Seu núcleo urbano formou-se entre 1932 e 1934, a partir das obras de combate à seca, com a construção do Açude Choró-Limão (Tomás Pompeu Sobrinho), em torno do qual se consolidou o povoamento, culminando na emancipação do município em 1992.
Com cerca de 13 mil habitantes, Choró destaca-se por sua diversidade cultural, evidenciada em festejos religiosos, festas juninas e reisados, além de manifestações tradicionais como a vaquejada, cavalgada e a pega de boi, expressões da cultura sertaneja reconhecidas como patrimônio cultural imaterial municipal em 2019.
Descrição:
Após a invasão portuguesa, o sertão nordestino foi desbravado pelas boiadas que abriram caminhos e impulsionaram a formação de diversas cidades no interior. A pecuária tornou-se tão central que originou a chamada “civilização do couro”, influenciando costumes, tradições e saberes ligados à cultura vaqueira, ainda presentes em muitas regiões do Nordeste.
Entre essas tradições destacam-se as “pegas” de gado, que deram origem às festas de apartação, realizadas no período de reunião do rebanho, geralmente em julho. Como as antigas fazendas não tinham cercas, os proprietários reuniam os vaqueiros para separar e marcar o gado destinado à venda. Nessas ocasiões surgiram também os primeiros torneios, nos quais o vaqueiro precisava capturar e derrubar o boi pela cauda.
Atualmente, as vaquejadas não se limitam mais ao mês de junho e seguem um calendário estruturado em circuitos, geralmente com cinco ou seis eventos realizados em parques próximos. Esses parques possuem pistas padronizadas, onde as disputas ocorrem em duplas: o “puxador”, que derruba o boi, e o “esteira”, que segura a cauda e a entrega ao parceiro. O animal deve cair dentro da área demarcada entre duas faixas, com as patas levantadas; quando isso acontece, “valeu boi”. Caso contrário, o resultado é “zero”. Apesar da diversas normas e regras criadas para minimizar os efeitos negativos aos animais, ainda é um grande desafio o equilíbrio entre tradição cultural e proteção animal.
Situação atual:
Ao longo do tempo, a vaquejada passou por transformações que ampliaram seu alcance para além de sua dimensão tradicional. Influenciada pela indústria do entretenimento, a prática incorporou novos formatos de organização, públicos e formas de participação, tornando-se um evento estruturado em circuitos competitivos, com regras, calendários e espaços específicos, sem deixar de manter vínculos com suas origens culturais. Além das competições, as Vaquejadas são marcadas por festas que atraem uma grande quantidade de público. O município de Choró conta no seu histórico com as tradicionais vaquejadas dos parques Santa Luzia/Feijão no distrito de Caiçarinha e no parque Francisco Miguel Filho na localidade de barreiras branca. Não foi observado ações e iniciativas de promoção e preservação da vaquejada como patrimônio cultural imaterial de Choró.
Legislação:
Lei municipal 534/2019.
Como chegar: Expresso Guanabara
Agenda Cultural: Pode acompanhar a programação cultural no instagram (@parquefranciscomiguel
Funcionamento: Anualmente.
Contato: Instagram @parquefranciscomiguel
Localização: Barreiras Branca, Choró – Ce.
Acessibilidade: Não possui acessibilidade.
Possibilidades de Educação patrimonial:
- Disciplina/Série Escolar: História – 3º Ano Fundamental.
- Objeto de Conhecimento: A produção dos marcos da memória: a cidade e o campo, aproximações e diferenças.
- Habilidades: Identificar modos de vida na cidade e no campo no presente, comparando-os com
- os do passado.
- Tema: A cultura vaqueira em Choró.
- Sugestão de atividades: Em sala de aula, promover uma reflexão crítica sobre o conceito de patrimônio cultural, destacando a vaquejada como uma importante manifestação da identidade cultural de Choró. Estimular os estudantes a compartilharem seus conhecimentos, experiências e memórias relacionadas à cultura vaqueira, valorizando os saberes locais e as tradições transmitidas entre gerações. Como atividade prática, propor que os alunos tragam objetos vinculados a esse universo cultural, como vestimentas, instrumentos, acessórios ou utensílios, para que sejam analisados quanto às suas funções, significados simbólicos e mudanças ao longo do tempo. A partir dessa análise, incentivar a construção de relações entre o passado e o presente das práticas vaqueiras, compreendendo sua permanência e transformação na cultura local.
Referências:
SANTOS, Manoel Silva dos. A importância cultural e econômica da vaquejada e a relevância do seu reconhecimento como patrimônio imaterial do Brasil. 2017. 55 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Ciências Econômicas) – Unidade Santana do Ipanema, Curso de Ciências Econômicas, Universidade Federal de Alagoas, Santana do Ipanema, 2018. Em https://www.repositorio.ufal.br/handle/riufal/3307
LIMA, Pedro Paulo Monteirode; TRINDADE, Hermanny Clean Santana; CAMPOS, Lucas Cruz. A VAQUEJADA COMO PATRIMÔNIO CULTURAL IMATERIAL: A DEFESA DA CULTURA NA PERSPECTIVA DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, [S. l.], v. 11, n. 6, p. 1535–1549, 2025. DOI: 10.51891/rease.v11i6.19707. Disponível em: https://periodicorease.pro.br/rease/article/view/19707.
Saraiva, Antonio Jeovane Sousa. O Patrimônio Local na Perspectiva de alunos (as) do Ensino Médio de Choró/Ceará [recurso eletrônico] / Antonio Jeovane Sousa Saraiva. 2020. Disponível em:
+ Informações
- Barreiras Branca, Choró/CE
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