Vaquejada e cavalgada
Histórico:
Quixeramobim, cidade mais antiga do Sertão Central e terra natal de Antônio Conselheiro, teve suas primeiras ocupações por povos indígenas como Genipapos, Quixarás e Canindés, que viviam às margens do rio Banabuiú. Com a colonização portuguesa, esses povos sofreram expulsões e violência, ainda que resistam em outras regiões. A Vila Nova do Campo Maior de Quixeramobim foi criada em 1789, dando origem ao município em 1856.
A cidade, com mais de 80.000 habitantes, possui uma grande diversidade cultural que se expressa nas festas de reis, festas juninas e pelas grandes celebrações religiosas populares. Inserida em uma região de forte tradição vaqueira, manifestações culturais como as vaquejadas e cavalgadas ocupam lugar de destaque na identidade cultural local, tendo sido reconhecidas como patrimônio cultural em 2017.
Descrição:
Após a invasão portuguesa, o sertão nordestino foi desbravado pelas boiadas que abriram caminhos e impulsionaram a formação de diversas cidades no interior. A pecuária tornou-se tão central que originou a chamada “civilização do couro”, influenciando costumes, tradições e saberes ligados à cultura vaqueira, ainda presentes em muitas regiões do Nordeste. Entre essas tradições destacam-se as “pegas” de gado, que deram origem às festas de apartação, realizadas no período de reunião do rebanho, geralmente em julho. Como as antigas fazendas não tinham cercas, os proprietários reuniam os vaqueiros para separar e marcar o gado destinado à venda. Nessas ocasiões surgiram também os primeiros torneios, nos quais o vaqueiro precisava capturar e derrubar o boi pela cauda.
Atualmente, as vaquejadas e suas expressões decorrentes não se limitam mais ao mês de junho e seguem um calendário estruturado em circuitos, geralmente com cinco ou seis eventos realizados em parques próximos. Esses parques possuem pistas padronizadas, onde as disputas ocorrem em duplas: o “puxador”, que derruba o boi, e o “esteira”, que segura a cauda e a entrega ao parceiro. O animal deve cair dentro da área demarcada entre duas faixas, com as patas levantadas; quando isso acontece, “valeu boi”. Caso contrário, o resultado é “zero”. Apesar da diversas normas e regras criadas para minimizar os efeitos negativos aos animais, ainda é um grande desafio o equilíbrio entre tradição cultural e proteção animal.
Situação atual:
Ao longo do tempo, a vaquejada passou por transformações que ampliaram seu alcance para além de sua dimensão tradicional. Influenciada pela indústria do entretenimento, a prática incorporou novos formatos de organização, públicos e formas de participação, tornando-se um evento estruturado em circuitos competitivos, com regras, calendários e espaços específicos, sem deixar de manter vínculos com suas origens culturais. Além das competições, as Vaquejadas são marcadas por festas que atraem uma grande quantidade de público. O município de Quixeramobim conta no seu histórico com as tradicionais vaquejadas do parques Sossego e Caboclo e a cavalgada da missa do vaqueiro. Não foi observado ações e iniciativas de promoção e preservação da vaquejada como patrimônio cultural imaterial da cidade.
Legislação:
Lei Municipal 2.892/2017 de 31 de agosto de 2017.
Como chegar: Empresas que possuem rotas de ônibus para Quixeramobim: Expresso Guanabara.
Agenda Cultural: Pode acompanhar a programação cultural no instagram @parquesossegoqxb
Funcionamento: Anualmente.
Contato: @parquesossegoqxb
Localização: Fazenda Sossego, Quixeramobim/Ce.
Acessibilidade: : Não se adequa.
Possibilidades de Educação patrimonial:
- Disciplina/Série Escolar: História – 3º Ano Fundamental.
- Objeto de Conhecimento: A produção dos marcos da memória: a cidade e o campo, aproximações e diferenças.
- Habilidades: Identificar modos de vida na cidade e no campo no presente, comparando-os com
- os do passado.
- Tema: A cultura vaqueira em Quixeramobim.
- Sugestão de atividades: Em sala de aula, promover uma reflexão sobre a noção de patrimônio cultural, com ênfase na vaquejada como expressão reconhecida da identidade de Quixeramobim. Incentivar os alunos a compartilharem seus conhecimentos e vivências acerca da cultura vaqueira, valorizando saberes locais e memórias familiares. Como atividade prática, solicitar que tragam objetos relacionados a esse universo cultural, como indumentárias, instrumentos ou utensílios, para analisar seus usos, significados e transformações ao longo do tempo, estabelecendo um diálogo entre passado e presente das práticas vaqueiras
Referências:
SANTOS, Manoel Silva dos. A importância cultural e econômica da vaquejada e a relevância do seu reconhecimento como patrimônio imaterial do Brasil. 2017. 55 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Ciências Econômicas) – Unidade Santana do Ipanema, Curso de Ciências Econômicas, Universidade Federal de Alagoas, Santana do Ipanema, 2018. Em https://www.repositorio.ufal.br/handle/riufal/3307
LIMA, Pedro Paulo Monteirode; TRINDADE, Hermanny Clean Santana; CAMPOS, Lucas Cruz. A vaquejada como patrimônio cultural imaterial: a defesa da cultura na perspectiva da constituição federal. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, [S. l.], v. 11, n. 6, p. 1535–1549, 2025. DOI: 10.51891/rease.v11i6.197
BARBOSA, N. P. . Cidade nascida à sombra da cruz: a invenção da(s) identidade(s) quixeramobiense pelos intelectuais do instituto histórico do Ceará (1913 – 1996).. Revista História e Culturas , 2016. Disponível em:
https://revistas.uece.br/index.php/revistahistoriaculturas/article/view/3536
+ Informações
- Fazenda Sossego, Quixeramobim/Ce
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